Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]
Se no caso Freeport todos sabemos tudo e mais alguma coisa, até as conversas de café dos magistrados, já no caso BPN parece que os segredos estão bem guardados…
Houve um tempo em que Abril foi madrugada
e rimou com o teu rosto,
mas agora é sol-posto
e não se vê mais nada
com que rime senão
a funda decepção
de uma promessa adiada.
Houve um tempo em que Abril foi a gaivota
azul do teu olhar,
mas perdeu-se da rota
e deixou de voar.
Não nos cabe, porém, desanimar:
Abril acaba sempre por voltar.
Torquato da Luz, Ofício diário.
A Coreia do Norte – um dos modelos do «socialismo», segundo o PCP – testou um míssil de longo alcance, a que chamou pomposamente «satélite de telecomunicações», o qual se despenhou, uma parte no Mar do Japão e outra no Oceano Pacífico. Não tem a menor importância, apesar da ONU reunir esta tarde por causa do assunto, se não considerarmos a fome e a miséria a que os coreanos são submetidos para alimentar os devaneios megalómanos de uma seita de tresloucados polpotianos. O PCP, desde o tempo longínquo em que a União Soviética era o «sol da terra», sempre distinguiu entre a fome e a miséria «proletária» e a fome e a miséria «burguesa». No fundo, tudo isto não passa de ícones do século XX, como os que repousam estáticos em cima dos meus armários.
O Francisco chama a atenção: o pão tradicional alentejano está fora da lei. E a seguir ao pão alentejano virá a sardinha assada, por causa do no carvão; e os xarrinhos alimados, por causa do sal. E tudo o mais. Daqui a uns anos, por este caminho, vamos «comer» cápsulas de cozido à portuguesa. Sem sal.
A organização Naked Autonomous Terror Dance organizou um protesto contra a Nato, em Neuhof, um subúrbio de Estrasburgo. Foram poucos, mas o seu protesto «apareceu» nos jornais de todo o mundo.
Em dois ou três dias, João Palma, presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, fez uma excelente operação de marketing, a qual permitiu que se soubesse que António Cluny já não era o presidente do dito Sindicato. Mal se viu eleito, com quatrocentos e tal votos no bolso, entrou num desatino mediático, cirandando por rádios, jornais e televisões, a denunciar «a existência de pressões públicas e privadas que estavam a pôr em causa a serenidade dos magistrados do Ministério Público que têm o processo Freeport em mãos». Inebriado com o sucesso da «sua» operação de marketing, ao segundo dia, meteu a fasquia no topo: pediu uma audiência ao Presidente da República. Com carácter de urgência não fosse a coisa arrefecer. Afinal, as «pressões» não passaram de uma conversa de repasto. Mas, daí para cá, o eixo mediático da investigação centrou-se nas quezílias e atritos pessoais no Ministério Público. Comunicado e reuniões do Procurador-Geral sobre «pressões»; troca de «mimos» entre João Palma e Cândida de Almeida; reuniões do Conselho Superior do Ministério Público, onde Pinto Monteiro «coloca em xeque» Cândida de Almeida e se mostra «desagradado» com João Palma. Andam todos «agastados» uns com os outros, mas sobretudo andam todos a toque de caixa das agendas mediáticas.
Desde Dezembro de 2007 já foram despedidos 5,1 milhões de pessoas nos Estados Unidos.
Não subscrevo, na íntegra, o artigo de João Miguel Tavares, o que é irrelevante, porque sem os artigos de João Miguel Tavares não vivíamos em democracia.
Li por aí que muitos portugueses fizeram um manguito à crise e aproveitam a próxima semana para desopilarem longe do dia-a-dia. À procura do sol e do mar, sobretudo. É, aliás, a prova de que quem não perdeu o emprego tem um desafogo superior ao ano anterior (baixa dos combustíveis, da prestação da casa, da inflação e por aí fora). As preferências são o Algarve e a Madeira, nos destinos internos, e o Brasil e as Caraíbas, nos destinos externos. Quem, nesta Páscoa, procura Cuba como destino turístico e visita Havana vai ficar bem informado quanto às «conquistas do socialismo». Pela manhã, bem cedinho, quem chegar à Praça de Armas e subir as Calles Obispo, O'Reilly ou Empedrado, ou qualquer outra paralela, em direcção ao Prado, depara-se com uma multidão de cubanos, de todas as idades, que vagueiam por aí, perdidos, à procura de coisa nenhuma. Uns querem vender charutos roubados nas fábricas do Estado; outros querem vender refeições nos «paladares»; outros vendem «gineteras». Os menos ousados, apenas pedem uma moeda, uma esferográfica, um sabonete. O «socialismo» está ali, naquelas ruas, em cada rosto, a boiar à tona de água. Aqueles milhares de pessoas não têm qualquer ocupação. Vagueiam sem destino, nem rumo pelas ruas da cidade. São desempregados. Por isso, a cantilena de Jerónimo de Sousa, Bernardino Soares, Francisco Louçã, Luís Fazenda, Joana Amaral Dias e Companhia contra o desemprego provoca nos meus olhos ironias e cansaços.
Ler o quê amanhã ?, um texto de Maria do Rosário Pedreira publicado no Blogtailors. A ler da primeira à última linha.
Chego a casa tarde e más horas e passo os olhos pelas notícias do dia, nos jornais on-line e nos blogues. A crise (a tal crise «inventada» pelo governo português para «justificar o aumento do desemprego, a quebra nas exportações e de outros indicadores económicos) continua a alastrar por esse mundo fora ou, pelo menos, está em ponto morto, apesar do optimismo do presidente dos Estados Unidos que, em conferência de imprensa, nos garante que a reunião do G20 foi um «ponto de viragem». À parte estas minudências, como injectar 500 mil milhões de dólares na economia, através do Fundo Monetário, nós por cá temos mais com que nos entreter: no momento em que o Sindicato dos Professores está a perder gás na sua «luta» contra Ministra da Educação (leio que 75% dos professores já entregaram os seus «objectivos de avaliação»), surge uma nova «luta» na «agenda» mediática: o Sindicato dos Magistrados do Ministério Público contra a Cândida de Almeida. Antes discutia-se o conceito de avaliação, agora discute-se o conceito de pressão. Os portugueses sempre estiveram mais próximos da filosofia alemã do que do espírito prático norte-americano. Geograficamente. Também a o imbróglio «provedor de justiça» tem fim anunciado: os «líderes parlamentares» deram tempo ao tempo e remeteram para 15 de Maio uma «decisão» parlamentar. Podia ter sido uma semana, como aconselharia o «espírito prático». Mês e meio é o «nosso tempo». Finalmente, um pormenor que não me escapou: a nomeação de Domingos Névoa para presidente não-sei-do-quê tem o mérito de ter feito a «unidade nacional». Coisa rara. É o «politicamente correcto» a funcionar e ninguém quer perder o «comboio» neste ano de quase todas as eleições.
O «caso Freeport» tresmalha-se nas malhas da «justiça», tal como aconteceu ao «caso Casa Pia» (este mediaticamente esgotado), porque saber a que bolso foi parar a «guita» é coisa de somenos. Para mal dos nossos pecados, é assim em todos os processos com efeitos especiais – aqueles em que, por convicção política, se deseja um determinado desfecho. Os mestres pensadores já fizeram a investigação, a acusação, a produção de prova, o julgamento e a condenação ou a absolvição. E, assim sendo, a justiça tem de acompanhar o que lhes parece evidente. O resto não interessa, nem são contas do seu rosário.