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António Barreto, em entrevista à Ler, produziu uma daquelas frases lapidares que cativam todos os amantes do livro e da leitura: «O “Magalhães” é o maior assassino da leitura em Portugal». Não estou tão certo disso, apesar de alguns dos meus amigos, sobretudo aqueles que mais estimo e considero, aceitarem o slogan sem pestanejar. António Barreto está limitado ao seu pequeno mundo elitista, universitário – uma minoria; e, no pequeno mundo em que habita, a frase faz sentido e pode, até, fazer escola. Mas, há mais mundo para além do seu pequeno mundo. Sobretudo há o mundo das empresas e do trabalho – o maioritário. E se há coisa que eu detesto é ver um jovem licenciado em Estudos Portugueses ler todas as novidades literárias, escrever à mão em imaculadas folhas de A4 brancas, sem conseguir distinguir o Word do Adobe, mas a viver atrás de um balcão da Zara. Nos dias que correm, pode dizer-se, com propriedade, que o Governo – este ou qualquer outro – deve investir tanto no livro e na leitura como na formação tecnológica; pode dizer-se, também com propriedade, que este Governo – talvez mais do que qualquer outro que o antecedeu – varre a cultura (onde se integra o livro e a leitura) para debaixo do tapete. Mas, a partir daqui encetar uma cruzada contra o que o «Magalhães» representa, enquanto iniciação à informática, às tecnologias, ao quotidiano, é um apelo às «trevas»: um trágico apelo à desqualificação profissional e ao desemprego. A frase de António Barreto é «bonita», é «universitária» mas, interpretada à letra, apenas conduz à desqualificação e ao empobrecimento de Portugal e dos portugueses.
Ontem, no Expresso, tivemos a entrevista de Manuel Alegre; hoje, no Diário de Notícias, é a vez de Helena Roseta, ex-social-democrata e ex-socialista, apoiante de Manuel Alegre, ser entrevistada. Li atentamente a entrevista. Gostei do sorriso de Helena Roseta na fotografia da 1ª página, como gostei da síntese que acompanha a fotografia: «PS não está a medir o grau de revolta, está a iludir-se com as sondagens.» Helena Roseta também sabe qual o caminho para Belém.
Li atentamente a entrevista de Manuel Alegre ao Expresso de hoje. Gostei da fotografia na capa. Sobretudo da gravata. Gostei, também, de ler a síntese que acompanha a fotografia: «Se houvesse candidaturas independentes, concorria contra o PS». É uma fórmula engenhosa que ajuda a cumprir o seu destino: demonstrar o pluralismo de opiniões no PS, enquanto mete umas gotas de água na boca do BE. É o sonho (de Belém) que comanda a vida.
Luís Filipe Meneses veio alargar as hipóteses de cabeças de lista do PSD ao Parlamento Europeu sugerindo «Pinto Balsemão ou o presidente da CAP».
Um facto simples da vida política nacional – a escolha do cabeça de lista do PS às
eleições «europeias» – foi suficiente para levantar uma inusitada «guerra surda»
no interior do PSD à volta do lugar de cabeça de lista àquelas eleições. Pacheco
Pereira, primeiro zurziu numa petição que avançava o nome de Marcelo Rebelo de
Sousa, quando já se tinha declarado disponível para o lugar: (Pacheco Pereira está
disponível para voltar a encabeçar a lista "laranja" às eleições europeias
de Junho de 2009, segundo o JN). Por sua vez Marcelo Rebelo de Sousa
declarou-se «indisponível», mas anunciou que Marques Mendes «é a melhor
opção do PSD», acrescentando que a decisão de apresentar o candidato em Abril
só é uma boa decisão se o nome for «uma surpresa excepcional». Para matar de vez
qualquer «surpresa», e evidenciar que é má a decisão de a líder do PSD não ter
apresentado ainda o nome do candidato, avançou, de imediato, com os nomes que
poderiam constituir «surpresa excepcional»: Marques Mendes, Pacheco
Pereira ou Passos Coelho, o que deixou de ser «surpresa». De tudo isto vai
resultar que a escolha de Manuela Ferreira Leite, para além de condicionada pela
aceitação, está condicionada pela «guerra surda» em curso. Já há demasiadas
lebres a correr.
«Notifica-se V. Exa., na qualidade de Falecido, nos termos e para os efeitos a seguir mencionados: Para no prazo de 10 dias, vir aos presentes autos, levantar a certidão requerida».
(via Lauro António)
As declarações do Presidente da República sobre a crise, durante a sua visita à
Alemanha, são significativas. Para além das preocupações quanto ao aumento do
desemprego e sobre a regulação do sistema bancário, deixou claro que: «não há
possibilidade de um Estado conseguir promover a recuperação económica
sozinho» ou «as previsões em Portugal são um pouco melhores»
referindo-se à quebra do produto interno bruto na Alemanha.
Não há Simplex que resista à cegueira e à prepotência de um Estado que nos ofende e envergonha. Querem mais Estado para isto (não se esqueçam que «tudo isto» é obra de pessoas: «agentes da Administração Pública»):
«Um contribuinte, pensionista e portador de deficiência, perdeu os benefícios fiscais devido a uma alegada dívida de 1,97 euros referente ao Imposto Municipal sobre a Transacção de Imóveis. A dívida nem sequer existia, como o fisco acabou por reconhecer. Para resolver o problema, o contribuinte de Viseu teve que contratar um advogado e colocar uma acção no Tribunal Administrativo e Fiscal.» (Público, 04.03.09)
«Quando conheci Haruki, ele me falou de um poema que dizia: mesmo em Kyoto sinto saudades de Kyoto.»
Circula por aí um coro afinado a querer avisar os socialistas dos «perigos» que correm porque o congresso do último fim-de-semana não teve «conteúdo nenhum» a não ser render o «culto da personalidade» à volta de José Sócrates. Quanto ao «conteúdo» do congresso, o que me surpreende é que ainda há alminhas que acreditam que um congresso partidário, nesta sociedade televisiva e mediatizada, se destina a «discutir ideias». Destina-se apenas a transmitir «mensagens» aos eleitores. E isto é verdade para todos os partidos, desde o PCP ao CDS-PP, com maior incidência nos «partidos do poder». Em 2002, já lá vão 7 anos, no Público escrevia-se assim: «O PSD saiu ontem do seu XXIV congresso como para lá entrou: na mesma. Já o Governo, considera que saiu do Coliseu de Lisboa reforçado na sua acção e na sua estratégia. E terá sido precisamente para isso que serviu esta reunião dos sociais-democratas: mostrar que o partido está unido e solidário com o executivo.» Há alguma novidade? Quanto ao «culto da personalidade» não é mais do que o prolongamento do «culto da imagem» que avassala a política nos dias que correm. E aqui, o que me surpreende é o facto de os mesmo que se entregaram de alma e coração ao «obamismo» não reconhecerem, neste «culto da personalidade», por emotividades locais, a mesma «estratégia» comunicacional. Há quem não perceba a voragem do «tempo que passa» e queira avaliar comportamentos e situações presentes à luz de critérios de avaliação vigentes, pelo menos, há meio século atrás. Não sabemos até onde este «estado das coisas» pode evoluir, mas é esta a realidade.
A crise que os socialistas portugueses provocaram com as medidas do Governo nos últimos 4 anos continua a provocar efeitos devastadores em todo o mundo. A Islândia, país que normalmente circulava no topo de todas as estatísticas de «bem-estar e qualidade de vida» abriu falência; nas longínquas paragens do sol nascente parece que lhe passou um cilindro por cima, ao ponto do ministro da Economia ter sido demitido por se «meter nos copos»; os países do leste europeu – os que deixaram a «segurança» da economia planificada para se dedicarem ao «sonho capitalista» – estão à beira do colapso; não tarda nada, 1 em cada 5 espanhóis estão a roçar os fundilhos das calças pelos bancos de jardim, enquanto na China aumenta o êxodo de regresso aos campos e à fome. Nos Estados Unidos, só no mês de Fevereiro, a General Motors teve uma quebra de vendas de 53%. Ora, se Manuela Ferreira Leite insiste que esta crise é «nossa» não percebo porque se admira do Congresso do PS ter sido uma manifestação de culto da personalidade de José Sócrates.
Muitos daqueles que, há dois ou três anos, evocavam diariamente o crescimento económico em Espanha para realçar a «incapacidade» do governo luso, mantêm-se em profundo silêncio perante os números devastadores do desemprego entre os nossos hermanos. Só no mês de Fevereiro o desemprego subiu quase 5%.
A comunicação social vai sempre atrás de tudo o que mexe. A informação é um dever, por isso não é contraditória, nem tem memória. Agora, parece que a «fruta» de Carolina Salgado estava estragada. Ainda não há muito tempo era «fruta» acabada de cair da árvore. Afinal podem ser apenas «falsas declarações» mas, na altura, já queriam arguidos e condenados.