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Divórcios do ano:
Nacional: Francisco Louçã e José Sá Fernandes;
Europeu: Ségolène Royal e Martine Aubry;
Mundial: Madonna e Guy Ritchie.
Enigmas do ano:
Nacional: As sucessivas votações do PSD, na Assembleia da República, a favor do Estatuto dos Açores;
Europeu: a hecatombe financeira e económica da Islândia;
Mundial: A vitória eleitoral dos rebeldes maoístas no Nepal.
Casamentos do ano:
Nacional: Francisco Louçã e Manuel Alegre, na Aula Magna;
Europeu: Nicolas Sarkosy e Carla Bruni, em Versalhes;
Mundial: Barack Obama e Hilary Clinton, na Casa Branca.
Fiascos do ano:
Nacional: José Pacheco Pereira;
Europeu: o Tratado de Lisboa;
Mundial: os especialistas em economia que previram o preço de crude a 200 dólares o barril, em Nova Iorque, até ao final de 2008, quando o ano encerra com o preço a 37 dólares.
«Os cálculos do Hamas são simples, cínicos e pérfidos: se morrerem israelitas inocentes, isso é bom; se morrerem palestinianos inocentes, é ainda melhor.»
Amos Oz, Público 31.01.08.
A Sofia não saiu da Grécia apressada a correr para Israel à procura de fagulhas. Foi só a Londres. Mas folheou o Corão.
Não se esqueçam que, no imaginário profundo da Nação, antigamente, o garante do regime era o primeiro-ministro, então designado presidente do Conselho; desde 1976, o imaginário profunda da Nação, quanto à defesa da Constituição, transladou-se de S. Bento para Belém.
PS. Lá saltou o concelho, sem conselho, como anota o José Teles.
A primeira iniciativa legislativa do BE em 2009 é «assegurar a quem tenha trabalhado 40 anos possa reformar-se sem ter qualquer penalização na sua pensão pelo facto de ainda não ter 65 anos de idade». Pela parte que me toca a proposta é interessante: já completei os tais 40 anos de trabalho (e de descontos) ininterruptos – sim, eu não sei fazer mais nada do que trabalhar e viver do que me pagam por isso ao fim de cada mês. A partir daqui era uma festa: com cinquenta e tal anos entrava de férias pagas por 10, 15, 20 anos, eu sei lá. Depois, quem vier atrás que apague a luz.
Nuno Ramos de Almeida, no seu erudito saber, cita Mike Davis, um historiador «marxista» com muito «interesse», para nos explicar como a «fagulha grega» pode incendiar a pradaria. Mas, com todo o respeito, nem um nem outro têm razão. «A revolução grega» e o «regresso a Marx», ultimamente tão propalados, estão intimamente ligados. Ou seja, não há nenhuma «situação revolucionária» na Grécia (mas tão só desacatos politicamente inconsequentes, os quais não resolvem um único dos problemas que os sustentam, antes pelo contrário – é como meter areia na vaselina); como não há nenhum «regresso a Marx», porque Marx morreu (25 anos depois da 1ª edição do Manifesto do Partido Comunista já Marx o considerava envelhecido, ultrapassado pelos acontecimentos. Então hoje, passados 150 anos, o que ele diria de toda a sua obra e, sobretudo, da sua «aplicação»?) O único marxista que resistiu à morte de Marx foi Engels. O resto tem pouco ou nada a ver com Marx. É leninismo, trotskismo, estalinismo, maoismo, castrismo. É só ver como a defunta URSS se desenvolveu e acabou ou olhar para Cuba, Coreia ou China para perceber que o marxismo morreu com Engels. A ressurreição do passado não é exactamente uma «teoria» marxista (18 de Brumário?). O que se passa hoje, na Grécia, em Portugal ou em qualquer outro país é uma situação típica, mil vezes repetida no último século e meio, em situações como a que vivemos: representantes da classe média – a pequena burguesia –, radicalizados pelas dificuldades que as crises do capitalismo lhes provocam, excitam-se facilmente ao menor sinal de contestação. São impacientes, desorganizados. Têm orgasmos múltiplos. Onde está Marx nestas alucinações? Onde está a revolução? Na Grécia? Ou no Afeganistão: não esquecer que os talibans combatem o imperialismo norte-americano. E quem vai tomar o poder na Grécia? O «proletariado» ou a minha prima Hermenegilda que em tempos foi do MRPP? Uma farsa – diria Marx.
O mundo do século XX já não existe. Primeiro foi o império soviético que se desfez: Gorbachev, o último secretário-geral do Partido Comunista da URSS e presidente do Soviete Supremo, sucessor de Lenine e Estaline, acabou a vender malas Vuitton; depois, o império americano deixou de ser o que era: Bush, o todo-poderoso presidente dos Estados Unidos da América em exercício foi corrido à sapatada de uma conferência de imprensa no Iraque, exactamente no Iraque. O ano de 2008 foi um ano síntese, onde se cruzaram Bernard Madoff – símbolo da pirâmide em que o velho mundo financeiro se deixou atolar – e Barack Obama – símbolo da necessidade de mudar de vida. Em 2009 iremos conhecer melhor a dimensão e as consequências da «crise financeira», como iremos, também, conhecer melhor a dimensão e as consequências das mudanças. Em 2009 tudo é possível.
Nestes dias, vésperas e dias de Natal, percebe-se melhor do que em qualquer outra altura o significado da luta dos professores. Os hospitais estão cheios de médicos, enfermeiros e outros trabalhadores que não podem passar a consoada com os filhos, com os pais, com quem vivem; os hotéis estão cheios de recepcionistas, bagageiros, empregados de mesas; como os hospitais e os hotéis, as estações de serviço; restaurantes, transportes públicos, táxis; e por aí fora. Ganhar acima da média, sair cedo e ser promovido em função do decurso do tempo e não do mérito são privilégios a que os professores se habituaram. É pela manutenção desses privilégios que os professores lutam, se mobilizam, se manifestam. O resto é conversa fiada.
«Em 1987, propus que a esquerda se coligasse para conquistar à direita a Câmara Municipal de Lisboa e, na altura, o líder do PS, o Dr. Vítor Constâncio, e as pessoas que o rodeavam – entre as quais Manuel Alegre – achavam que isso era um crime de lesa majestade, porque não podia haver alianças com o PC, nem com os pequenos grupos de esquerda, que hoje formam o Bloco de esquerda.»
João Soares, entrevista à Focus, 23.12.08.
Hoje voltei a ouvir a voz do senhor Nogueira, na rádio, a propósito da entrega de um
abaixo-assinado de professores. Aquela voz inconfundível de delegado sindical da
construção naval dos anos 70 obrigou-me a reconhecer um erro de apreciação.
Escrevi, aqui, a propósito da última manifestação de professores, que «o PCP cavalga a
onda de descontentamento dos professores». Não é verdade. Quem cavalga quem só
se pode medir pelos resultados. Se o PCP não alterar significativamente o resultado
eleitoral nas eleições do próximo ano, depois desta tenaz luta dos professores,
significa que a frase ajustada à realidade deve ser «Professores cavalgam onda de
descontentamento do PCP».
Estive «fora» dois ou tês dias. Há novidades dos putos que encabeçaram a «revolução
grega» ou aquilo acabou tudo em águas de bacalhau?