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Hugo Chávez recebeu sinais, por diversas vezes, nos últimos anos, de que parte importante da cadeia de comando das Forças Armadas cumpriria, em qualquer circunstância, a Constituição. Por isso, e só por isso, Chávez tentou alterar a Constituição, através de referendo, em Dezembro do ano passado, de modo a: i) perpetuar-se no poder; ii) consagrar constitucionalmente o «socialismo bolivariano». O povo venezuelano fez-lhe um manguito. Passado um ano, realizaram-se as eleições estaduais e municipais. Chávez jogou, nestas eleições, tudo o que podia jogar, usando para tal o dinheiro dos contribuintes: intimidando e reprimindo, a torto e a direito, eleitores e candidatos da oposição (inibiu da qualidade de eleitos centenas de opositores, alguns dos quais com grande prestigio junto dos eleitores, ameaçou de prisão e por aí fora). Queria preparar o terreno para novo referendo. Mesmo sob a pressão chavista, o povo venezuelano voltou a fazer-lhe um manguito. A oposição ganhou nos dois estados mais populosos: Zulia e Miranda (6,6 milhões de habitantes num total de 28 milhões). A oposição ganhou, também, em parte considerável, as grandes cidades, a começar pela quase totalidade dos municípios da capital, Caracas. A cereja em cima do bolo desta vitória eleitoral chavista foi a derrota estrondosa de dois dos mais importantes e leais «homens do presidente», no estado de Miranda, Diosdado Cabello, ex-vice-presidente e ex-ministro do Interior do Governo de Chávez, e em Caracas, de Aristobulo Izturiz, ex-vice-presidente e ex-ministro da educação e ex-presidente do município de Caracas. Chávez perdeu o apoio da grande área metropolitana de Caracas, onde habitam milhões de pobres. Estes resultados eleitorais significam uma vitória da democracia na Venezuela.
O Mário Rui, pseudónimo de um amigo de outras «lutas», anda a divertir-se à «grande e à francesa», como ele gosta.
Mário Nogueira é candidato ao Prémio Stakhanov 2008. Já que o Prémio Nacional do Professor só pode ser entregue a professores.
Os comunistas portugueses, após as eleições presidenciais nos Estados Unidos, em nota do Gabinete de Imprensa do Partido Comunista Português, afirmaram:
«Não ignorando diferenças entre os candidatos republicano e democrata, a verdade é que ambas as candidaturas não disfarçam o seu vínculo a um projecto de dominação no plano económico, ideológico e militar do mundo.»
Libero Della Piana, presidente do Partido Comunista dos Estados Unidos, em Nova Iorque, na sua intervenção ontem, em S. Paulo, num Encontro de Partidos Comunistas afirmou:
«Acreditamos que esta eleição (de Obama) marca um ponto de viragem na luta estratégica da classe trabalhadora, e que iniciamos uma transição para um novo período estratégico, o da restrição dos monopólios como um todo.
Nas eleições de hoje «Está em causa o futuro da revolução, o futuro do socialismo, o futuro da Venezuela, o futuro do Governo revolucionário e também o futuro de Hugo Chávez».
É um exercício pedagógico ler tudo o que certas vozes escreveram, por aqui, na bloga, há ano e meio, durante a campanha eleitoral para Lisboa, sobre as qualidades e os atributos políticos de José Sá Fernandes. Afinal, parece que se enganaram. Enganam-se em relação a muitas coisas, mas falam sempre com a autoridade de quem nunca se engana. É enternecedor!
Os socialistas franceses adiaram para hoje o resultado final do embate entre Ségolène Royal e Martine Aubry. Ontem Ségolene arrecadou 42,45 % dos votos, enquanto Martine ficou com 34,75%, deixando fora da corrida Benoît Hamon, com 22,83%. Pelas duas eleições já realizadas, a primeira com 4 candidatos, e a de ontem com 3, prova-se que não há somas aritméticas: os votantes de Bertrand Delanoë, apesar da indicação de voto em Martine, dividiram-se pelas duas candidaturas. Se o mesmo acontecer, o que é provável, com os votantes de Hamon, Ségolène tem, hoje, a vitória assegurada. O pior vem depois.
A Bymblos, por Pedro Vieira.
Que saudades dos «Bons tempos em que jogava o Pauleta, e os adversários se mostravam "macios”».
A pequena burguesia radical não é uma invenção do léxico marxista. Existe. É uma realidade social. Os seus representantes políticos, dizem-se arautos de uma sociedade igualitária, mas reservam para si o direito de decidir quem é que será igual a quem. Não confiam em eleições, nem na vontade popular. A particularidade que melhor os caracteriza é a recusa em assumirem a sua condição de classe. Daí, o terem desenvolvido uma estranha obsessão por se fazerem passar por representantes da classe operária ou do povo trabalhador, conforme as circunstâncias e as conveniências. Não têm um projecto de sociedade. Por isso, parasitam: quando conseguem tomar o poder, mais cedo ou mais tarde, acabam a copiar o modelo dos verdadeiros representantes da classe operária. Fundam partidos comunistas e arvoram-se em herdeiros da Revolução de Outubro. Há dois exemplos, um mais antigo, outro mais recente, de tomada do poder pela pequena burguesia radical: em Cuba, com Fidel Castro, e na Venezuela, com Hugo Chávez.
Em Portugal, a luta pela liderança da «revolução» entre a pequena burguesia radical e a classe operária tem, desde a fundação do Partido Comunista, no início dos anos 20 do século passado, três etapas: a primeira, foi travada no interior do Partido Comunista até aos anos 60 (excepção feita a correntes residuais, anarco-sindicalistas ou trotskistas, que actuavam fora do PCP). A luta entre as duas linhas, os desvios de esquerda e de direita na história do PCP, e outras coisas do género são o reflexo dessa obsessão da pequena burguesia radical em querer dirigir o «processo revolucionário». A segunda etapa, tem início em meados dos anos 60. Sobretudo, entre os finais dos anos 60 e a primeira metade dos anos 70, quando a pequena burguesia radical travou o seu primeiro combate pela hegemonia do «movimento operário e popular» fora do Partido Comunista. Foi a altura em que, inspirados pela cisão do movimento comunista internacional, a pequena burguesia radical, a partir do movimento estudantil, procurou constituir um outro Partido Comunista, o verdadeiro, que substituísse o partido da classe operária. Provocaram alguns danos ao partido da classe operária, sobretudo em 74/75, mas a pequena burguesia radical de fachada socialista perdeu a contenda. Ainda apresentou publicamente simulacros de partidos comunistas: o PCTP/MRPP, o PCP (m-l) ou PCP (Reconstruído), mas a coisa não pegou. Depois de muitas «reflexões» e muitos desaires, em meados dos anos 90, encapotaram as vaidades pessoais, próprias da «classe», e iniciaram uma nova etapa, a terceira, de luta pela liderança da «revolução»: juntaram-se todos numa caldeirada explosiva: os que estavam dentro do partido da classe operária, mas que perceberam que aí o espaço de manobra para a pequena burguesia radical desaparecera, os que fundaram partidos comunistas alternativos, com Estaline entre os cinco violinos, os velhos trotskistas, gente dispersa e sem paradeiro certo.
Hoje, disputam ao PCP, a liderança da «revolução», no terreno da «democracia parlamentar».
Continuam, como sempre, sem modelo de sociedade. Ora se acham apenas «socialistas de esquerda», – o desvio de direita – ora se acham únicos herdeiros de todas as tradições revolucionárias da humanidade, desde a guilhotina até ao gulag – desvio de esquerda. Medeiam entre a impaciência e castração. A pequena burguesia radical é assim: revolucionariamente pequeno-burguesa, apesar de se terem em alta consideração.
A Rumba do BPN, do Eduardo Pitta.
Procurava o vazio absoluto e não o encontrava. Iniciou, então, uma grande contenda consigo próprio. Procurou ajuda na leitura de Sun Tsu, sem sucesso. Concluiu, então: eu não estou em guerra com ninguém; ninguém é que está em guerra comigo.