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Haverá algum motivo que eu não entenda para que os candidatos a autarca ou a deputado, quando se aproximam os actos eleitorais, criarem um blogue que no dia a seguir ás eleições desaparece da «lixeira» quase sem deixar rasto? Não vou dar exemplos porque incomodaria tanta gente que, só de pensar, fico incomodado.
António Costa, presidente da Câmara de Lisboa, mostrou ontem, na Quadratura do círculo, a sua frontalidade e o seu desapego ao poder. Mesmo sabendo, como sabe, que a forma como caracterizou a «blogosfera» lhe pode custar milhares de votos, não deixou, por isso, de dar a sua opinião.
Leio-o por aí que, ontem à noite, num programa de televisão que dá pelo nome de Quadratura do Círculo, esta «coisa» a que se convencionou chamar blogosfera foi rotulada de «submundo» e «lixo». É a opinião de duas pessoas respeitáveis. No entanto, se me é permitido, aqui do fundo do «submundo», discordar, eu discordo! E apesar de discordar, compreendo as razões que sustentam a «tese» do lixo e do submundo. Antes, a mediação entre a política e os cidadãos era feita exclusivamente através da «comunicação social», o que significava que os jornalistas e os profissionais da crónica política detinham o monopólio da informação e da opinião. A «função política» tinha entre os seus atributos o saber «controlar» a «realidade» mediatizada. A blogosfera, mais do que submundo ou lixo, é um fenómeno que permitiu democratizar a opinião, sujeitando a «função política» a um prestação de contas mais severa e sem possibilidade de controlo, na medida em que a blogosfera é, ao mesmo tempo, atomizada e global. Na passada, desvaloriza a «função» de cronista político, vulgarizando a sua «qualificação»). Daí, a necessidade de, num primeiro momento, os principais afectados pelo fenómeno procurarem desqualificá-la junto da opinião pública (sem perceberem que a blogosfera é já uma parte importante da opinião pública e publicada). José Pacheco Pereira explicou, em meia dúzia de palavras, a essência do fenómeno «blogosférico»: «Tenho mais poder no Abrupto que como secretário de Estado» (Diário de Notícias", 27-07-2008). Ora, se o autor do Abrupto, através do seu blogue, tem mais poder do que um secretário de Estado, pode-se facilmente concluir que a blogosfera no seu conjunto tenha (ou possa vir a ter) mais poder do que um primeiro-ministro. É neste «poder» que reside a preocupação de quem lhe desagrada este novo «poder», incontrolável, mas democrático. Neste sentido, se pode entender também as palavras de Pedro Magalhães: «A blogosfera começa a ter um peso enorme na actividade política, especialmente nos Estados Unidos. É a verdadeira consciência crítica da actividade política.» (no programa de Pedro Rolo Duarte, Abril de 2007). Este tema é interessante e merece um amplo debate, sobretudo entre os que «vegetam nos caixotes do lixo»
O Rui Vasco Neto convidou-me a escrever um texto para o Sete vidas como os gatos, a propósito do aniversário do blogue. Já está lá publicado sob o título «Casas da Câmara».
O Corta-fitas, através do Pedro Correia, nomeou o Conquilhas blogue da semana, o que para mim, é uma honra, sobretudo vindo do Pedro, a quem agradeço as palavras amigas. Obrigado ao Pedro e a toda a equipa corta-fiteira pela distinção.
Como assinala João Pinto e Castro: A jornada de luta da CGTP contra o Código de Trabalho mobilizou exclusivamente sectores laborais que não são afectados pelo Código de Trabalho. É obra!
George Bush pode deixar a Presidência dos Estados Unidos como o presidente mais impopular da história do país. Numa sondagem hoje publicada em The Washington Post, 70 % dos americanos desaprovam as políticas da Administração Bush. Os piores resultados de sempre pertenciam a Harry Truman (67%, 1952) e Richard Nixon (66%, 1974). É obra!