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A prisão de Carabanchel, em Madrid, mandada construir pelo ditador Francisco Franco, nos anos 40, começou hoje a ser demolida. Por lá passaram muitos presos políticos: comunistas, anarquistas, socialistas. Entre eles Marcelino Camacho, sindicalista e militante comunista. Vai dar lugar a um hospital, moradias, lojas e escritórios. A propósito, um dos melhores hotéis de Boston – The Liberty Hotel – foi construído aproveitando uma antiga prisão. Por cá, existe um projecto de uma Pousada para o Forte de Peniche. O próprio presidente da Câmara de Peniche, eleito pelo Partido Comunista, já declarou que o projecto é irreversível e contempla «um núcleo museológico dedicado à luta antifascista». Não é de admirar, daqui a uns anos, lá no Forte, o seguinte diálogo: empregado do bar: - sabe que esta era a sala onde se torturavam os presos? Cliente: - Verdade? Sirva-me outro uísque para me esquecer desses tempos.
Vai para aí uma ladainha, sobretudo dentro do PSD, por causa da escolha de Santana Lopes para candidato à Câmara de Lisboa que até parece que o homem não é do PSD. Apenas, porque Manuela Ferreira Leite resolveu a tempo um problema, antes que o «problema» lhe caísse em cima: se convidasse as pessoas sugeridas por Pacheco Pereira ia de recusa em recusa, conforme declarações dos próprios (e como aconteceu a Marques Mendes), até que, enfraquecida, enquanto líder e enquanto oposição, agarrava o primeiro Negrão que passasse num corredor do Palácio de São Caetano à Lapa.
Publicado em 1965, Obrigado pelo Lume, de Mario Benedetti (Uruguai, 1920) foi agora publicado em português pela Cavalo de Ferro Editores.
O partido comunista da Venezuela está entre a espada e a parede: apoia a «revolução anti-imperialista» de Chávez, mas este classifica os comunistas como contra-revolucionários. Óscar Figuera, secretário-geral dos comunistas venezuelanos, reagiu e «explicou que nenhuma revolução se pode considerar como tal se se revestir de traços anticomunistas» (Avante, 16.10.09). Ora, se Chávez quer acabar com o partido comunista da Venezuela (ameaçou fazer desaparecer o PCV do mapa político), logo não há «revolução anti-imperialista» na Venezuela. Não tarda muito, o PCP vai começar a chamar ao amigo de Fidel Castro um contra-revolucionário que confunde Lisboa com Havana... São as teias que as «frentes populares» tecem.
«Pacheco Pereira faz essas declarações na sua qualidade de comentador para a qual é pago. Já nos habituou que, para continuar a ter valor de mercado, tem de dizer mal das pessoas»
Carlos Carreiras, presidente da distrital de Lisboa do PSD.
Como depois de um terramoto, a economia real reajusta-se às novidades financeiras: o petróleo hoje, em Nova Iorque, valia 71 dólares o barril; o cobre desceu 33%; o café, o milho, o cacau e outras matérias-primas descem para valores praticados há um ano atrás. Ainda vão descer mais, pelo menos na ressaca. A torneira do dinheiro bancário deixou de jorrar. Agora só corre pingo a pingo. Quem compra tem menos dinheiro; quem vende precisa de dinheiro. E o dinheiro tornou-se (ao contrário dos últimos anos) um produto escasso. O mercado vai inevitavelmente regular os preços. O Estado, esse, compete-lhe regular as distorções e as euforias do mercado. Mas o passado diz-nos que a economia real se vai ajustar num outro patamar até que, depois de consolidada e em crescimento, venha nova euforia. Talvez em meados da próxima década. Faz parte das regras do jogo. Porque raramente se colhem ensinamentos duradoiros para o futuro. É a vida!
A história da selecção nacional de futebol divide-se em duas épocas: a época Scolari e todas as outras (talvez, a excepção do mundial de 66). Os últimos três jogos (com a Dinamarca, a Suécia e a Albânia) já são suficientes para marcar definitivamente este período das «outras épocas» – no caso, o período Queiroz. Um bando de incompetentes, desorganizados e mal dirigidos empata com a Albânia. Queiroz, antes deste jogo, devia ter lido O general do exército morto, de Ismael Kadaré e teria percebido a garra albanesa. Carlos Queiroz pode regressar a Manchester o mais rápido possível. Nesta altura, deixem-se de paninhos quentes e não estraguem os debates em curso sobre a crise e o orçamento de Estado.
O DN de hoje, a partir de um trabalho de investigação da revista checa Respekt, informa que Milan Kundera, aos 21 anos, denunciou à polícia «os movimentos suspeitos» de um jovem da sua idade, o qual viria a passar 14 anos na prisão. A revista checa trata o assunto como se o escritor checo não fosse militante do partido comunista na data do acontecimento, em 1950. O documento da denúncia agora revelado é de 14 de Março de 1950. Kundera foi expulso do partido comunista ainda nesse ano (foi readmitido seis anos depois e só foi expulso de novo em 1970). E como militante comunista, a denúncia apontada é um acto normal que em nada mancha o seu contributo conta o «regime», e muito menos o seu talento como escritor. Anormal é Kundera negar factos documentados e não os enquadrar historicamente. A não ser que se trate de documentos forjados. Mas não parece.
Porque é que Paulo Portas, depois de transformar o CDS-PP num partido irrelevante, ainda insiste em disputar eleitorado ao PCP e ao BE?
À atenção de Vital Moreira: «Apesar da reacção positiva dos mercados nos dois últimos dias, não há razão para declarar o fim da crise financeira e passar a um estado de entusiasmo exagerado», disse Jean-Claude Juncker, primeiro-ministro e ministro das Finanças do Luxemburgo e presidente do Eurogrupo, que reúne os ministros das Finanças dos 15 países da zona Euro.
Gosto de uma boa piada, mesmo quando é racista, machista e por aí fora. Manuela Ferreira Leite, hoje, na Comissão Política do PSD, logo de início, disse, em síntese: hoje, as eleições autárquicas não são para aqui chamadas.
Gosto de uma boa piada, mesmo quando é racista, machista e por aí fora. A Cristina escreveu, em síntese: se a Brigitte Bardot se cruza com Sarah Palin só não lhe arranca a pele porque é contra essas coisas de esfolar animais.
O muro de Berlim não caiu com o vento, nem a implosão das torres de Nova Iorque foi obra de furacão. Aos poucos, passo a passo, as peças ajustam-se, como nos puzzles. Ou como diria um velho mestre electricista, sem positivo e negativo não existia corrente eléctrica. Por ora, os EUA e a Europa nacionalizam bancos, enquanto na China se permite, a partir deste mês, aos camponeses vender, arrendar ou hipotecar o uso da terra.
O Eduardo Pitta e o Francisco José Viegas, cada um com a sua máquina fotográfica, tiraram o retrato à crise. À «nossa» crise. Não precisa de retoques.
«Esta crise, como todas elas – para quem as veja com a objectividade marxista-leninista – encerra lições.»
Editorial do Avante, 09.09.08.