Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]
Por estas e por outras, deixei há muito tempo de ver televisão. Só ligo o inútil aparelho para ver jogos de futebol ou qualquer acontecimento especial. Acidentalmente, em restaurantes, leio as «breves» que correm em rodapé.
Será errado dizer que a Agência de Comunicação Abrupto, utilizando técnicas comunicacionais de última geração, está a ultrapassar as Agências de Comunicação tradicionais?
O blogue Praça da República, do João Espinho, promove um colóquio, em Beja, no dia 3 de Outubro, às 14.30, sob o tema A desertificação do interior. Serão oradores Medeiros Ferreira, Jorge Pulido Valente, Pinhão Cardão e Renato do Carmo, moderados por António Covas da Universidade do Algarve.
Infierno verde, da autoria de Luis Eladio Pérez, sete anos sequestrado pelas FARC, narra a experiência do ex-congressista colombiano nos anos de cativeiro, entre 10 de Junho de 2001 até 27 de Fevereiro de 2008.
«En la selva uno pierde la ilusión por los días porque todos son exactamente iguales. No existe Navidad ni Año Nuevo. Las horas pasan lentamente, son eternas. De día no vemos el sol, ni la luna por la noche.»
DECO – «Preços dos Combustíveis: assim não! Sábado 27: Não se esqueça, não abasteça.
«Vinda de onde vem — políticos com sensibilidade às novas tecnologias, jornalistas, bloggers da direita, etc.; e nem todos são tontos — a campanha contra o computador Magalhães roça o irracional. (…) O clamor da oposição é directamente proporcional à mudança de paradigma. Portugal não se resume aos meninos da alta classe média cujos papás podem pagar tecnologia de ponta. Porque os da média-média têm sérias dificuldades. E os outros simplesmente não podem (nunca puderam). O que é espantoso é que a democratização da informática, hoje, provoque sobressalto idêntico ao que teria provocado, há cem anos, uma campanha de alfabetização em massa. O resto é cantiga.»
Eduardo Pitta (Da Literatura).
É apresentado esta semana o romance Feminino Singular (Porto Editora), de Seveva Casati Modignani, com a presença, em Lisboa e no Porto, da escritora italiana.
Caem as primeiras chuvas, ali na serra, obrigando a terra a libertar os primeiros odores da fecundação; os outros odores, que se misturam no ar – o do medronhal e o das estevas – convidam ao grão com acelgas. É a natureza que se repete, em cada ciclo, sem nada desperdiçar.
Caro Paulo Gorjão: o meu texto não é sobre a condição de arguido de Pedro Santana Lopes (se poderá ou não vir a ser). Nem contém o menor juízo de valor político, favorável ou desfavorável, sobre Santana Lopes, quer como presidente da Câmara de Lisboa, quer como primeiro-ministro ou presidente do Sporting. O meu texto é sobre a condição de «arguido» e a conotação política que a comunicação social e algum oportunismo político associou àquela condição. A condição de «arguido», tal como a «cultura política» dominante a interpreta, e a faz passar através dos media, presta-se às maiores pulhices políticas. Vindas de inimigos ou de adversários, tanto faz. Veja-se o «caso McCanne»: na opinião pública, a senhora foi uma mãe em sofrimento pelo desaparecimento da filha até ao momento em que foi constituída «arguida». A partir daí passou a ser vista como uma potencial «criminosa». Afinal, o processo foi arquivado. Há muito tempo que se desfez um princípio basilar do direito penal, apesar de toda a gente encher a boca com ele: a presunção de inocência até ao trânsito em julgado de uma sentença condenatória. Foi a «luta» (ou a mesquinhez) política que o desfez. Se não se põe fim a este caminho, os carrascos de hoje serão das vítimas de amanhã e as vítimas de hoje serão os carrascos de amanhã. É como meter merda na ventoinha: daqui ninguém sai vivo.
Aguardamos com toda a tranquilidade os resultados dos jogos Rio Ave–FC Porto e Paços de Ferreira-Benfica.
(Adenda: o primeiro resultado já é conhecido; agora só falta conhecer o segundo: amanhã à noite. O Sporting vai defrontar o Benfica e o Porto com toda a tranquilidade).
Pieter Janssens Elinga [ Woman Reading ] 1660
A presença do livro na pintura, fotografia, cinema, ilustração.
«Santana Lopes vai ser constituído arguido» – oiço na SIC, como se fosse uma notícia. «Vai ser…»: isto significa que ainda não foi; e que até pode não vir a ser. Aliás, já há dois anos, pelo menos, que é conhecido o inquérito a que o DN hoje se refere. Se a notícia é «nova» e tem fundamento: - vai ser –, só pode sair dos instrutores e investigadores do processo, daqueles que devem zelar pelo segredo de justiça. De qualquer modo, o que se passou no «caso Casa Pia», nas suas diversas «vertentes«, ainda não foi suficiente para que a «justiça» deixe de ser usada em «assassinatos» políticos.
Em menos de um foguete as fábricas deslocalizaram para Marrocos. Desemprego e miséria em Setúbal.»
Clive Stafford Smith, director da ONG britânica REPRIEVE, em conferência de imprensa, realizada na Ordem dos Advogados, em Lisboa, em Abril último, teceu severas considerações contra o governo português pelo «envolvimento» no transporte de presos para Guantánamo. Afirmou mesmo haver «zero de dúvidas de que houve cumplicidade do governo português e envolvimento no transporte de presos suspeitos de terrorismo». A sessão da ONG e as críticas – justas ou injustas, conforme as ópticas – ao governo português são normais em democracia. Haveria um terramoto político se o governo decidisse expulsar de imediato do país o protagonista da conferência de imprensa. Mas foi isso que aconteceu, ontem, na Venezuela. Chávez expulsou do país o director e o vice-director de uma ONG que apresentou em Caracas, em conferência de imprensa, um relatório sobre direitos humanos, onde se criticava o governo venezuelano.´Isto traduz a medida da democracia. Contudo, o «problema» é que, as mesmas pessoas que aplaudiram de pé, na primeira fila, a ONG que criticou o governo português, estão agora, também, na primeira fila, a elogiar a «firmeza» de Chávez contra os «agentes do imperialismo» que se querem imiscuir nos assuntos internos de um país soberano. Haja paciência!
O PCP, todos sabemos, regressou aos «clássicos», o que corresponde a dizer que, depois de dois momentos «defensivos» – o que se seguiu ao 25 de Novembro de 1975 e, depois, à Perestroika e à queda do muro de Berlim – voltou à ditadura do proletariado. A sua posição contra o Código do Trabalho, em discussão na Assembleia da República, é coerente: eles não querem aperfeiçoar o capitalismo; querem a sua destruição e, sobre as suas cinzas, erguer uma «sociedade nova», onde um código do trabalho não faz sentido porque quem trabalha é a classe dominante e só os «reaccionários» e os «agentes do imperialismo» falam sobre os direitos dos trabalhadores. O Bloco de Esquerda não sabe bem o que quer: se aperfeiçoar o capitalismo, se o destruir; se deve participar em «governos burgueses» ou não. A pequena burguesia urbana é assim: hesitante. É, ideologicamente falando, um caldo entre «guevarismo» «chavismo», «trotskismo» e outras coisas no género. Não sabe para onde quer ir. Entretanto, o «instinto de sobrevivência» diz-lhe que o melhor é estar contra tudo o que facilite a sobrevivência do capitalismo. Também é, no fundo, uma posição coerente. O PSD (o CDS não conta para nada) não vota a favor, nem contra a proposta do PS de revisão do Código do Trabalho. É uma posição incoerente, semelhante à posição do PS sobre esta matéria há 5 anos. Contudo, a posição do PSD ajuda o PS: a presente proposta de Código do Trabalho não está feito à medida da «direita»; e tanto assim é que o PSD (e o CDS, também) não a vota favoravelmente. Este não é um argumento formal; é substancial. Se não é um argumento substancial, o PSD está de rastos e a pesca em águas turvas vai, mais cedo ou mais tarde, reduzi-lo à expressão eleitoral do PCP e do BE.