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||| Nuclear. Meter a cabeça debaixo da areia.

por Tomás Vasques, em 07.08.08

A propósito da sugestão de Vítor Constâncio sobre a introdução da energia nuclear em Portugal, José Manuel Fernandes, no editorial do Público, de hoje, suscita – e bem – a questão vital da energia (e da necessidade de quantidades crescentes para assegurar o nível de vida a que os cidadãos aspiram), e consequentemente, a solução nuclear. Mais cedo ou mais tarde, este debate tem de ser feito. Mais cedo ou mais tarde, a opção pela energia nuclear tem de ser feita, a par do desenvolvimento de todas as outras fontes de energia renováveis. E quanto mais cedo, melhor. O nosso empobrecimento ou não vai, inevitavelmente, passar pelas opções enérgicas alternativas aos combustíveis fósseis. Já há décadas que se fala na necessidade de «diversificar a matriz energética» mas, como é nosso timbre, avessos a ver mais de um palmo à frente do nariz, perdidos na espuma dos dias, continuamos a meter a cabeça debaixo da areia até ao limite. Esgotámo-nos com os Descobrimentos. Daí para cá, nunca mais inventámos a realidade. Ficamos atarefadamente de braços cruzados à espera que a realidade nos invente.

 

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publicado às 07:38

||| Uma vida numa frase.

por Tomás Vasques, em 06.08.08

Yu. P. Kugach et al., To Great Stalin -- Glory! (1948)

 

«Quando privais alguém de tudo, ele deixa de estar sob o vosso poder. Ele volta a ser inteiramente livre.»

 

(Aleksandr Solzhenitsyn, O Primeiro Círculo).

 

 

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publicado às 01:06

Em Itália, no mês passado, Silvio Berlusconi declarou o estado de emergência no país, aumentando os poderes da polícia, sobretudo em relação aos imigrantes. Por estes dias, o governo meteu nas ruas das principais cidades 3 000 militares fardados de camuflado e armados de espingarda metralhadora. Roma ficou, assim, mais próximo de Beirute. Pelos menos, nas imagens que os fotógrafos vão colhendo. Tudo em nome da segurança dos italianos. Palpita-me que as primeiras vítimas desta militarização «simbólica» da Itália vão ser os italianos. Por um simples motivo: são os italianos (e não os imigrantes) que têm os votos que lhes permite voltar a dizer que não é o Sol que gira à volta da Terra.

 

 

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publicado às 14:24

||| Corrupção [4].

por Tomás Vasques, em 03.08.08

«Cravinho tem razão em tudo o que diz e na urgência com que o diz. Já não tem razão em muitas das suas propostas que reforçariam o já hiper-reforçado estado judicial e diminuiriam direitos, liberdades e garantias que nem a luta contra a corrupção justifica. Tomadas à letra, inverteriam o bom princípio da presunção da inocência que obriga o estado a provar o crime e não o individuo a provar a inocência. Num país como Portugal levariam, a breve prazo, ao seu uso para perseguições políticas ad hominem, mesmo sem qualquer substância num crime

 

José Pacheco Pereira, na Sábado.

 

 

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publicado às 14:35

||| A frase.

por Tomás Vasques, em 03.08.08

«Quando um jornal perde o respeito dos seus leitores, passa a ser uma questão de tempo saber quando desaparecerá

 

José Manuel Fernandes, Editorial do Público, 02.08.2008,

 

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publicado às 01:02

||| Corrupção [3].

por Tomás Vasques, em 03.08.08

 

 

 

«Na entrevista ao "Diga lá, Excelência" (PÚBLICO, 27.7.08), João Cravinho mostra algum despeito pessoal e político pela não adopção do seu projecto e descura, talvez por ligeireza de leitura, o que o diploma aprovado pela Assembleia da República tem de comum com os seus louváveis propósitos.

Como qualificar de "forte pendor governamental" uma entidade presidida pelo Presidente do Tribunal de Contas, cuja independência constitucional, legal e de facto é uma realidade e composta por quatro membros integralmente independentes do Governo (director-geral do Tribunal de Contas, um magistrado do Ministério Público, um advogado e uma personalidade de reconhecido mérito na matéria, designados por entidades que são independentes do Governo)? Como ignorar que os três outros membros (inspectores-gerais dos Ministérios mais sensíveis ao fenómeno da corrupção) são, além de minoritários, dotados legalmente de independência técnica e funcional? Como afirmar que nestas circunstâncias a própria independência do Tribunal de Contas não é favorecida? Se compete ao próprio CPC aprovar o regulamento da sua própria organização e funcionamento, bem como dos serviços de apoio respectivo, como afirmar que os seus membros vão "a sessões e nada mais"? Se cabe ao próprio CPC propor (não podia ser doutro modo) ao Ministério das Finanças o quadro desses serviços de apoio e se lhe compete a nomeação do respectivo pessoal, que terá vencimento majorado, e a possibilidade de contratação de consultores técnicos, como duvidar que este organismo não se venha a dotar de "pessoal altamente qualificado"? Se isto é governamentalizar a prevenção da corrupção, então como qualificar as Orientações Estratégicas de Prevenção da Corrupção e os Planos de Prevenção da Corrupção aprovados necessariamente pelo Governo, conforme constava do projecto de Cravinho?»

 

Extracto de Prevenir a corrupção, Alfredo José de Sousa, Público, 02.08.2008.

 

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publicado às 00:58

||| Há petróleo no Beato [2]

por Tomás Vasques, em 01.08.08

Meu caro João Gonçalves: independentemente de pequenos episódios, como o «número« de ontem, protagonizado por Cavaco Silva, quanto ao essêncial, dizes que o regime está em crise. Claro que está! Mas, como sabes, a crise do regime não é de hoje, nem de ontem, nem é só cá neste cantinho, em que as elites, em geral, são endemicamente invejosas e culturalmente pequeninas. É também por essa Europa fora a começar em Itália e a acabar em França, cujo presidente, e cujo regime tu tanto admiras, usando para isso, naturalmente, outros critérios de avaliação. É um processo degenerativo de envelhecimento da democracia. E não são só as células que vão morrendo. Com a idade e a experiência ganhou manhas e truques que usa, em cada situação, umas vezes para enganar o Zé pagode; outras por mera preguiça. O problema está nas soluções regenerativas (ou alternativas) da democracia tal como ela «existe». Uns esforçam-se por vender, como alternativa, o modelo soviético como solução. Tecem elogios à Revolução de Outubro, citam Marx e Lenine a torto e a direito, e dizem que em Cuba e na Coreia do Norte o povo é feliz. Prezo demasiado a liberdade e a democracia e mando-os bugiar. Conhecemos o que foi (e ainda é) o «socialismo real» para lhes não abrir a porta. Outros – nos quais, muitas vezes, te incorporas - acenam com um «messianismo» abstracto: isto precisa é de alguém, com pulso forte e cacete na mão, para «meter na ordem» a mediocridade e a bagunça reinantes. Por formação democrática não acredito em «salvadores» e muito menos em «pulsos fortes e cacetes na mão». Nem em Deus eu acredito, quanto mais em homens «providenciais». Posto isto, resumidamente, entendo que é no quadro da preservação da liberdade e da democracia que devem ser encontradas as soluções de regeneração e de bem estar colectivo. E neste processo, a «desmontagem» do regime, tal como tu sistematicamente o fazes, é um precioso contributo, tal como outras «desmontagem», vindas do PCP e da extrema-esquerda, são úteis. Temos os partidos que temos e não outros; temos os dirigentes que temos e não outros - são os que os portugueses conseguiram produzir. Não se fabricam nas Caldas… mas continuamos a luta por dias melhores. É a vida!

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publicado às 13:41

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