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Vítor Dias preocupa-se com os meus modestos e sintéticos escritos neste dazibao. Na economia de tempo de quem tem o azar de não fazer da escrita profissão, alinhavo à pressa umas poucas linhas (pouco mais de 500 caracteres), onde consigo falar sobre ciclismo, jogos olímpicos, e na pedalada, a despropósito, escrevo: «A opção de Álvaro Cunhal pelos soviéticos e os ataques ao PC Chinês, no começo dos anos 60, é mais um dos sucessivos erros de apreciação do endeusado dirigente do PCP. Hoje, passados 40 anos, os comunistas portugueses, habituados a engolir sapos, dão a mão à palmatória, sem o admitirem, e lá vão defendendo o PC Chinês. Afinal, os soviéticos eram mesmo “revisionistas”». Vítor Dias lê e não resiste. E decide explicar-me com mais de 2 000 caracteres (um autêntico esbanjamento de palavras) que «talvez não valha a pena explicar-me» que o PCP tem sempre razão, como se fosse um herói imortal de banda desenhada. Por mera educação, como todas as cartas devem ter resposta, e já que a conversa tinha descambado para o «revisionismo» soviético, teço umas simples considerações sobre Krutchev. E acrescento, para não ser esmagado pelos caracteres de Vítor Dias, que o PCP sempre apoiou quem esteve no poder, desde Estaline a Gorbachev, passando pelo dito Krutchev, sem cuidar de lhe apreciar as diferenças, e muito menos entender que a «construção do socialismo» em ditadura é uma treta. Vítor Dias, amarfanhado, replicou. Desta vez não me mandou comprar «chapelinho ou boné para proteger as meninges da inclemência deste sol de Agosto», mas voltou com a cassete: ele fala em alhos, eu respondo em bugalhos, mas nunca responde à questão: aquilo na Coreia do Norte é uma democracia ou uma ditadura?

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publicado às 00:02

||| Primavera de Praga. Soberania Limitada.

por Tomás Vasques, em 17.08.08

Faz por estes dias 40 anos que 200 000 soldados e 5 mil tanques soviéticos, sob a capa do «Pacto de Varsóvia», invadiram a Checoslováquia. O processo de democratização do regime foi interrompido à força. Dubcek, secretário-geral do PC foi levado para Moscovo e destituído das suas funções. Bastaram apenas duas décadas para os ares de mudança de Praga chegarem até Moscovo.

Em Outubro desse ano, o Avante transcrevia uma Declaração dos comunistas portugueses, onde se lia:

 

«O PC Português entende que os marxistas-leninistas não podem contestar em princípio a legitimidade revolucionária de uma intervenção de países socialistas noutros países socialistas a fim de defenderem as conquistas do socialismo, impedirem a contra-revolução, assegurando ao mesmo tempo a defesa do campo socialista no seu conjunto»

 

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publicado às 12:40

||| Treinador de sofá.

por Tomás Vasques, em 17.08.08

Como aperitivo, esteve bem. Aguçou o apetite. Já ouvi dizer que bolas mal chutadas podem bater na trave. E os penaltis falhados também são bolas mal chutadas.

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publicado às 08:21

||| Citações.

por Tomás Vasques, em 16.08.08

 

Béria e Krutchev transportam a urna de Estaline.

 

 

Vítor Dias – tal como os demais comunistas portugueses – tem a ingrata tarefa de transportar, aos ombros, a história oficial do PCP. Isso obriga-o a não ceder um milímetro aos luxos burgueses, como a liberdade de pensamento, por exemplo. Vítor Dias pensa que Álvaro Cunhal, enquanto líder do PCP, nunca cometeu erros (ai o culto da personalidade!), do mesmo modo que endeusou Estaline até 1953 e depois, como se nada fosse com ele, alinhou na denúncia dos crimes do ditador soviético feita por Krutchev, em 1956. E nem pestanejou quando Krutchev, na luta pelo poder, executou Béria da mesma forma que Estaline tinha executado tantos dos seus camaradas. Nem estranhou que quem denunciava os crimes de Estaline tinha escrito, anos antes: «Os trotskistas levantam as suas mãos traidoras contra o camarada Estaline, Estaline a nossa esperança; Estaline o nosso desejo, Estaline: a luz da humanidade avançada e progressista. Estaline a nossa vontade, Estaline: a nossa vitória». Vítor Dias não acredita nas ideias, nos factos, na multiplicidade, na discussão. Acredita apenas, piamente, na «linha justa» do Partido. Vítor Dias vê o mundo através de umas lentes que lhe distorcem o que vê: por exemplo, democracia na Coreia do Norte e fascismo («grau zero da democracia») em Portugal. Por isso, não entendeu a ironia do meu post. Apenas reagiu ao «ataque» ao camarada Cunhal. Vítor Dias é politicamente cego. É como os meus camaradas de partido que não pensam. Conheço alguns que, nos congressos do PS, apoiaram incondicionalmente Mário Soares, Vítor Constâncio, Jorge Sampaio, António Guterres, Ferro Rodrigues e José Sócrates, sem nunca perceberem as diferenças entre eles; por oportunismo ou por cegueira partidária. Vitor Dias não percebe que o PC da URSS nunca deixou de ser estalinista e que o bem estar dos povos não se alcança com ditaduras, mesmo que sejam do «proletariado».  

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publicado às 18:58

||| Dúvidas metódicas.

por Tomás Vasques, em 15.08.08

Vagueando pela bloga é fácil perceber que a maioria as pessoas usa o mês mais cruel para exercer o seu direito constitucional ao gozo de férias. Se, por acaso, a maioria dos portugueses fosse de férias em Dezembro, e se, em vez de procurar a praia e sol, pelos Algarves ou pelas Caraíbas, se dedicasse a ler as Teses sobre Feuerbach e a adorar o menino Jesus, passaria a ser Dezembro o mês mais cruel?

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publicado às 15:54

||| Esconder a cabeça debaixo da areia [2].

por Tomás Vasques, em 15.08.08

Com o espectro da recessão técnica a bater à porta dos principais países europeus, da Dinamarca ao Reino Unido; com os crescimentos quase nulos da Espanha e da Irlanda; com a Alemanha a desacelerar, estavam todos, de faca afiada, à espera de resultados catastróficos nas contas nacionais. Face aos resultados apresentados pelo INE, mesmo modestos, ficaram de boca aberta, ao ponto de António Borges, vice-presidente do PSD, exclamar: «Os números hoje conhecidos são uma surpresa melhor do que se estava à espera, são um bom resultado». O Paulo Gorjão não gostou. Estava à espera que viessem atacar os «péssimos resultados»? Ou que não compete ao principal partido da oposição elogiar os resultados divulgados?

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publicado às 11:27

||| Esconder a cabeça debaixo da areia.

por Tomás Vasques, em 12.08.08

O aventureiro Bush, com a invasão do Iraque e outros desmandos, internos e externos, colocou os EUA de cócoras: já nem pode com um gato pelo rabo. A EU assemelha-se a um clube recreativo sem poder para mandar um cego cantar. A China e a Rússia estão a tomar conta da «situação» e, concertadamente, dividem tarefas. O Irão, e outros figurantes, fazem as manobras de diversão próprias dos peões de brega. Há no ar, nestas coisas dos impérios, acumulações quantitativas que vão dar mudanças qualitativas. É só esperar mais um pouco.

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publicado às 01:13

||| Jogos Olímpicos [3].

por Tomás Vasques, em 12.08.08

Factos: o Presidente da República e o Primeiro-Ministro recusaram ir à abertura dos jogos olímpicos de Pequim. Por razões de agenda. Ambos estão de férias. É de louvar.

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publicado às 00:32

||| O problema da Geórgia.

por Tomás Vasques, em 11.08.08

||| Jogos Olímpicos [2].

por Tomás Vasques, em 09.08.08

 

 

Hoje, nas ruas de Pequim, realizou-se a prova de estrada, em ciclismo. Ganhou o espanhol Samuel Sanchez, arrecadando a Espanha a primeira medalha de ouro. Como se pode ver pela foto, a China não «renegou» Mao Zedong, como o PC da URSS «renegou» Estaline. A opção de Álvaro Cunhal pelos soviéticos e os ataques ao PC Chinês, no começo dos anos 60, é mais um dos sucessivos erros de apreciação do endeusado dirigente do PCP. Hoje, passados 40 anos, os comunistas portugueses, habituados a engolir sapos, dão a mão à palmatória, sem o admitirem, e lá vão defendendo o PC Chinês. Afinal, os soviéticos eram mesmo «revisionistas».

 

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publicado às 14:38

||| Jogos Olímpicos.

por Tomás Vasques, em 09.08.08

Ainda há quem pense que os Jogos Olímpicos fomentam a amizade, a harmonia e a paz entre os povos. Falam no «espírito olímpico», como que anuncia, à beira da chaminé, a chegada do Pai Natal. Competição, concorrência, rivalidade são a marca dos Jogos. Começa pela apresentação das candidaturas dos países, suportadas na necessidade de afirmação política e económica, e acaba nos estádios, entre os atletas, na disputa de medalhas, afirmando o poderio «desportivo» de cada país, o que equivale na lei da concorrência a poderio político e económico. À margem, pode ser que algum atleta português aprenda alguma coisa sobre Israel, já que partilham o mesmo piso! De resto, mais nada.

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publicado às 13:05

||| A Frase.

por Tomás Vasques, em 09.08.08

«O Benfica é igual ou melhor do que o Real Madrid

 

José Antonio Reyes, novo jogador do Benfica.

 

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publicado às 10:02

||| Assaltos.

por Tomás Vasques, em 08.08.08

O bom senso e a frontalidade da Cristina são desarmantes.

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publicado às 23:11

||| Provérbios. Manuela Ferreira Leite.

por Tomás Vasques, em 07.08.08

«O silêncio é de ouro; a palavra é de prata».

«Quem muito fala pouco acerta».

«Venha o diabo e escolha».

 

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publicado às 23:47




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