Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]
Senel Paz é um escritor cubano, vive em Havana, e foi-lhe atribuído o Prémio de Criação Literária Casa da América Latina 2008. Em entrevista ao Público (na ípsilon de hoje) diz não conhecer o trabalho de Yoani Sánchez, também residente em Havana, jornalista da revista digital Desde Cuba e autora do blogue Generación Y. Senel Paz, a avaliar pela entrevista, é um castrista envergonhado. Yoani Sánchez, dentro dos seus limites, vai dando umas palmadinhas no rabinho do regime. Senel Paz veio a Lisboa receber o prémio que lhe foi atribuído. O regime não permitiu que Yoani Sánchez fosse a Madrid receber o Prémio Ortega y Gasset 2008 de Jornalismo Digital, atribuído por El País. Percebe-se bem porque razão Senel Paz, escritor residente em Havana, não conhece o trabalho jornalístico de Yoani Sánchez, também residente em Havana. Tal como já aqui escrevi em Havana no pasa nada.
Um leitor, a propósito deste post, diz-me que passou pela Praça das Flores e lhe pareceu a «zona verde de Bagdade». E acrescentou: «Já reparou que existe uma série de bloggers aqui na zona? Torquato da Luz, Daniel Oliveira, Medeiros Ferreira, Joana Amaral Dias… devíamos fazer uma micro-causa a pedir a restituição da Praça das Flores…» Não vale a pena, digo eu. A promoção dos automóveis não tem nada a ver com o preço dos combustíveis. E sabem porquê? Porque quem cedeu a Praça foi um vereador do Bloco de Esquerda.
O CDS-PP é irrelevante, tanto quanto Paulo Portas e a sua «moção de censura» ao Governo. De resto, o Parlamento é irrelevante quando a «rua» marca a agenda da contestação. À mesma hora, 200 000 manifestantes desciam a Avenida da Liberdade convocados pelos comunistas, o que ridiculariza o entusiasmo triunfalista dos 500 participantes na «festa da pobreza» do BE, no Teatro da Trindade. O PCP concretizou, hoje, a sua «moção de censura», mas José Sócrates, como lhe competia, respondeu-lhes: «Não me impressionam os números. O que me impressiona são os argumentos». E quanto a argumentos, aí, o PCP está em desvantagem: basta ver o trabalho infantil na China ou o desemprego em Cuba, países onde os sindicatos não existem, nem há código de trabalho. De qualquer modo, as próximas eleições legislativas são uma caixa de Pandora.
A Praça das Flores, maneirinha e romântica, ali entre a R. de S. Bento e o Príncipe Real, onde os reformados apascentam as tardes mornas e as crianças se espraiam nos baloiços, foi retirada durante 3 semanas ao usufruto dos lisboetas. Sá Fernandes, na qualidade de vereador da CML, rendido às «migalhas do capitalismo», entregou a Praça ao uso e abuso de uma marca de automóveis. Gradearam a Praça e mandaram os reformados, as crianças e os moradores bugiar para outro lado. O aparato é de tal ordem que, se o destino se encarregar de tal desastre, os bombeiros (terão dado parecer positivo?) não têm acesso à Rua Marcos de Portugal. Num bairro antigo em que uma fagulha pode incendiar a pradaria. Como foi Sá Fernandes que autorizou aquela ocupação, cabe perguntar: ninguém entrega num tribunal uma providência cautelar contra tais desmandos?
«Primeiro dizem uma coisa e, depois, fazem outra…»
(Hugo Pratt, Corto Maltese – A balada do mar salgado, vol 3, pág. 52).
Esta noite, no Teatro da Trindade, há comício das «esquerdas». Manuel Alegre é cabeça de cartaz. Atrás do deputado socialista, à babuja, caminha o BE. Depois, segue a procissão de deserdados. O andor ficou recolhido na Igreja: o PCP tem o mérito de não alinhar em «caldeiradas» pequeno-burguesas.
A partir de 3 de Junho, Pedro Vieira na Livraria Almedina, no Atrium Saldanha, em Lisboa.
Era tão importante saber quem ficaria em segundo lugar nas «directas» de ontem do PSD como a margem de vitória do novo presidente. Manuela Ferreira Leite disputará as próximas eleições com Sócrates, mas Passos Coelho adquiriu estatuto de futuro líder do partido.
«Deter-se assim no passado… é como guardar um cemitério.»
(Hugo Pratt, Corto Maltese – A balada do mar salgado, vol 3, pág. 22).
Santana Lopes ficou atrás de Pedro Passos Coelho nas «directas» do PSD. Cumpriu-se uma das «pequenas vinganças» de Luis Filipe Menezes.
A fuga de Durão Barroso para o «Egipto» e a institucionalização das «directas» transformou o PSD numa máquina trituradora. Os resultados eleitorais de ontem (três candidatos ficaram praticamente na casa dos 30%), que conduziram Manuela Ferreira Leite à liderança do partido, deixam adivinhar que a máquina elege o presidente do partido para melhor o triturar. Muita gente, no interior do PSD, vai fazer a vida «negra» a Manuela Ferreira Leite, como fez a Mendes e Menezes. Mais de metade do PSD vai «trabalhar» para a derrota do PSD nas próximas eleições. É também curioso, a partir de hoje, ver como Pacheco Pereira, o «ideólogo» da trituração, vai reagir contra os críticos internos da direcção ontem eleita.