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Há uma característica muito própria nos portugueses: sabem sempre como não se faz, detectam á distância, muitas vezes só pelo cheiro, o que está errado, o que está mal; mas raramente sabem como se faz, o que não os impede de apregoar ao vento que passa como não se faz.
Esta «obra de arte» – uma armação de zinco e plástico rasgado, ali colocada faz anos, ainda no tempo da Câmara do Eng.º Carmona, destinada à execução de uma obra coerciva que nunca começou – rouba o Tejo a muitos moradores da Madragoa. E acompanho o sentir de Viriato Teles (ver Actual) quando escreve no seu site: «Quando António Costa foi eleito, escrevi-lhe um email (que, naturalmente, nunca teve resposta) em que pedia apenas o óbvio: a devolução do rio que me foi retirado pelo referido andaime. A mim e mais umas centenas/milhares de pessoas que vivem entre a Madragoa e a Lapa. E é apenas isso que continuo a desejar: o Tejo, o meu Tejo, de volta aos meus dias e às minhas noites. Não é assim tão difícil, pois não, sr. Presidente? Vá lá, estamos no Santo António. E este Tejo não é apenas muito bonito: também é meu. Ou, para ser mais rigoroso: é nosso! como o Carvalhal...»
Cabe perguntar: fazem a obra coerciva ou tiram o andaime? Há gente que não entende, mas o Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia…
7 de Junho de 2008, Sábado. A minha prima Hermenegilda é uma mulher desapaixonada, ao ponto de lhe azedar os dias e lhe avinagrar as palavras. O azedume ferve-lhe na boca. Podia cair na tentação de uma explicação fácil: nunca teve o menor bambúrrio de sorte nos amores – já lá vão três divórcios e nunca teve filhos. Mas não o faço, sobretudo, porque ela insiste que «viver sozinha é uma graça de Deus». Que seja! Isso não seria contas do meu rosário se ela não me atazanasse sempre que lhe dá na gana.
Ora, estava eu a banhos, entre amigos, deleitado a ver o jogo Portugal – Turquia, o primeiro jogo deste Europeu de futebol, quando a Hermenegilda me liga e, na sua voz de falsete, implacável, me diz: - «Pela barulheira já percebi que estás a ver o futebol. Este país está reduzido ao futebol. Não se fala em mais nada, como se não houvesse mais nada importante neste país para se falar.» Neste momento, Pepe introduziu a bola dentro da baliza dos turcos.
«Hermenegilda – respondi, depois de uns segundos de silêncio– pensei que estavas a ler qualquer coisa, que tinhas ido ao teatro, ao cinema, a um concerto». Ela sentiu a ironia na minha voz, e retorquiu: «Não te faças de sonso. Esta paranóia do futebol serve apenas para distrair este povo pequenino que, alegremente, se afunda todos os dias».
Despachei a Hermenegilda, como quem sacode um tapete: «Amanhã ligo-te, agora vou continuar a ver o jogo», enquanto admirava mais um daqueles carrosséis de Cristiano Ronaldo que se desfazem em espuma.
Queria gozar a vitória de Portugal, saborear até à última gota a minha cerveja, mas a Hermenegilda não me saía da cabeça: tem um percurso de vida ondulante. Frequentou a faculdade de letras, mas não acabou o curso – dedicou-se ao teatro. Foi sol de pouca dura, mas serviu de desculpa para os insucessos universitários. Nesses anos, de
O Não irlandês ao tratado de Lisboa foi motivo de regozijo, entre nós, como é natural, do pessoal da «pesada». Miguel Portas, pelo BE, e Ilda Figueiredo, pelo PCP, assumiram as despesas da festa. Estiveram também na boda alguns compinchas da direita «moderna» e «esclarecida»– uma espécie de «compagnons de route» dos nossos dias. Fica por esclarecer se Pacheco Pereira já está disponível para «atacar» a presidente do PSD, pela qual se bateu nas últimas «directas».
Como sublinha o Francisco, hoje é sexta-feira, 13, sobretudo
Ontem à tarde, quando o país parecia estar à beira da desordem e do caos, milhares e milhares de portugueses, empunhando bandeiras nacionais, circulavam de carro, alegremente, nas ruas de todas as cidades portuguesas. Manifestavam o seu contentamento pela vitória da equipa portuguesa em terras suíças. A falta de feijão verde nos supermercados ou de combustível nas gasolineiras não nos atemorizam. E sabem porquê? Porque somos um povo de brandos costumes, moldado com a tranquilidade que advém de 900 anos de história e unidos pela selecção nacional de futebol. Hoje, tudo voltou à normalidade, como a sabedoria popular adivinhava. Ainda há quem pense que nos devemos preocupar com o resultado do referendo de hoje, na Irlanda, ao tratado de Lisboa, quando no Domingo à tarde podemos voltar a ver o Cristiano, o Deco, o Pepe e todos os outros. Há quem não goste de futebol? Paciência! O povo é quem mais ordena.
«Temos de colocar a nossa energia, a nossa paixão e as nossas forças para fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para eleger Barack Obama, o futuro presidente dos EUA.»
Hillary Clinton
Uma corja de idiotas, com dívidas que nunca mais acabam, contraídas para férias, carros e outros deboches, buzinam freneticamente pela cidade, envergando cachecóis e exibindo bandeiras nacionais a propósito da vitória de Portugal numa merda qualquer em que estão onze gajos em cada lado aos pontapés num balão. E o Sócrates a rir-se que nem um perdido.
A apresentação mundial de uma marca de automóveis ou do que quer que seja em Lisboa é bom para a cidade e para o país. A escolha da Praça das Flores para um evento desse tipo é má, sobretudo pelas características da praça, nomeadamente por ser o centro de um bairro habitacional. Mas, o que me leva a insistir neste assunto, para além dos muitos e-mails recebidos, é o facto do Bloco de Esquerda, através de Sá Fernandes, defender (uns abertamente, outros envergonhados) a ocupação da Praça das Flores contra os interesse mais elementar dos moradores, tal com o direito de circulação entre a casa e um supermercado. Caso esta autorização não tivesse passado pelo BE, os que hoje se encolhem estavam a crucificar meio mundo. É esta a natureza do BE. O que quero realçar com esta questão é que o BE é só «garganta» oposicionista, populismo, comportamentos inquisitórios quando trabalha para ganhar o poder, mas, uma vez aí chegado, age comos os «outros»: os «corruptos», os «vendidos» e por aí fora. O BE faz-me lembrar o PRD: se alguma vez alcançarem o poder esvaem-se como o partido do general Eanes, porque a substância ideológica é a mesma. Este caso da Praça das Flores é só um exemplo que deve ser sublinhado.
(Fotos da autoria de João Amaro Correia, morador da zona e autor do blogue Khiasma).
(Ilustração de Pedro Vieira, no 5 dias)
E-mail de um munícipe:
«Acabo de ler o seu post sobre o que se está a passar na Praça das Flores, que é a minha aldeia.
Uma vergonha! Estou indignado e revoltado.
Uma providência cautelar, infelizmente, já não vai a tempo.
Ontem à noite, houve barulho até às tantas. Ainda se fosse música que não impedisse a leitura... Mas não. É um batuque insuportável, que faz estremecer as paredes.
Vamos lá ver como será esta noite.
Tanto quanto sei, a coisa está a funcionar com total desprezo das exigências legais mínimas em situações semelhantes.
Parece impossível que a Câmara Municipal e a Junta de Freguesia se encontrem envolvidas em tal desaforo.
Estamos bem servidos, não haja dúvida.»
Na mesma semana em que o deputado socialista Manuel Alegre animou uma festa-comício do Bloco de Esquerda, no Teatro da Trindade, o Expresso dá conta da participação de Sá Fernandes, vereador eleito pelo Bloco de Esquerda, em Lisboa, numa reunião da Concelhia do PS, no Largo do Rato, convocada por Miguel Coelho. A distância entre o Teatro da Trindade e o Largo do Rato é mais difícil de percorrer porque é sempre a subir; do Largo do Rato até à Trindade é mais fácil porque é sempre a descer.
Qualquer governo do PS é como um lençol curto: quando se cobre o nariz, os pés ficam frios; quando se cobrem os pés, o nariz fica gelado.
Scolari diz que empate com a Turquia não é um mau resultado. Deve ter consultado a Nossa Senhora de Caravaggio e, esta, disse-lhe: empata com a Turquia, perde com a República Checa e ganha à Suiça e segues em frente. Com esta «ambição» a selecção portuguesa não passa da 1ª fase.