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Paulo Portas, durante a visita a um lar de idosos, hoje, em S. Domingos de Benfica, disse: «Nós já temos ´carjacking` não precisamos de ´fiscojacking`» Os jornalistas presentes não relataram a reacção dos idosos, mas só pode ter sido uma prolongada salva de palmas.
Na Itália, Silvio Berlusconi começou, esta semana, com a aprovação de um pacote legislativo, a apertar o cerco aos imigrantes ilegais. Ao mesmo tempo, os governos da União Europeia aprovaram um acordo sobre as regras de expulsão de imigrantes ilegais. A argumentação que sustenta esta «fúria» anti-imigrantes passa como sempre pela «segurança» dos cidadãos. E isto passa-se, nesta Europa, que espalhou pelo mundo, nos últimos duzentos anos, milhões de imigrantes - irlandeses, portugueses, espanhóis, italianos, ingleses e por aí fora. Que falta de memória!
Torcato Sepúlveda fez, há meia dúzia de anos, a apresentação do «General de todas as estrelas…» - uma pequena história que escrevi sobre a pulhice humana em Cuba. Nesse dia ofereci-lhe Celestino antes del alba (La Habana, Ediciones Unión, 1967), de Reinaldo Arenas, comprado clandestinamente em Havana e com dedicatória do autor à directora da Biblioteca Nacional de Cuba. Depois disso, cruzamo-nos duas ou três. O destino marcou-lhe uma partida antecipada. Até sempre.
Um Homem Verde Num Buraco Muito Fundo, novo livro infantil de David Machado, com ilustrações da Carla Pott.
Há quem, enlevado nos aromas do haxixe, defenda o pagamento de multas a quem fuma um cigarrito.
«Angola aprova lei que permite adiar 15 dias publicação de resultados eleitorais»
«APEL diz que Feira do Livro está nas mãos do Grupo LeYa»
Eduardo Graça, sempre atento, descobriu que a senhora Victoria Beckham (na cultura da irrelevância o futebol está sempre presente…) sem saltos altos não consegue pensar.
De 21 de a 25 de Maio, na Voz do Operário, Rua Voz do Operário, 13 (à Graça), em Lisboa, realiza-se o Festival Internacional de Tango de Lisboa. Todos os dias Milongas, a partir das 22 horas e até às 5. À tarde, a partir das 15 horas, aulas –workshops. A encerrar: Espectáculo Puro Tango 2008.
Afinal, a cultura da irrelevância ainda não está consolidada. Segundo um estudo recente, realizado em 17 países europeus, e ao contrário dos espanhóis, os portugueses preferem sexo a futebol.
(via João Tunes)
Tudo acabou bem, como nas telenovelas brasileiras. Só falta a data de abertura. Apenas um pormenor: não entendo o que justifica a presença de um representante da Leya numa reunião entre a Associação Portuguesa de Editores e Livreiros e a União de Editores Portugueses moderada pela Câmara de Lisboa.
Subscrevo na íntegra as Cinco notas sobre as eleições americanas, de Pedro Correia (Corta-fitas).
A empresa de estudos de mercado GfK divulgou, em Março, um estudo sobre os hábitos culturais dos portugueses. Grosso modo, temos: 96 por cento dos inquiridos diz que «ver televisão» é a sua primeira «actividade de entretenimento». «Ler livros», apesar de ser mencionado por 35% dos inquiridos, só 2% deram "ler livros" como a sua primeira resposta. Outras actividades muito frequentes nos hábitos dos inquiridos (diárias ou «pelo menos uma vez por semana») incluem «ir ao café ou esplanada» ou «ir a centros comerciais"». Um resumo do estudo está disponível aqui.
Alguns apóstolos da relevância insurgem-se contra a cultura da irrelevância, dominante na comunicação social, sobretudo na televisão. Os detentores do saber relevante esquecem que a cultura da irrelevância é a cultura do «povo». Os telejornais abrem com um acidente de viação, de preferência com mortes em vez de abrirem com as «directas» no PSD ou uma declaração do primeiro-ministro? É porque as audiências baixam com as novidades políticas e sobem com as notícias do futebol por mais inúteis e fúteis que sejam. Porque o «povo» passa as tardes de domingo em centros comerciais e nos estádios de futebol. E gosta de ir de férias no Verão, de preferência para a praia, seja ao Algarve ou à Republica Dominicana. Seja a pronto de pagamento, seja a crédito. O «povo» (este povo) é o produto de oito século de história e, por muito que custe, quer ser feliz agora! Está cansado da «política» e de «debates» televisivos. Prefere, por agora, enquanto não tiver outra perpectiva do futuro, o «irrelevante». Um bom concerto vale por dez debates sobre o «tratado de Lisboa». Os protestos dos apóstolos da relevância não alteram em nada esta situação. E depois, há que ter em conta as experiências em que os apóstolos do saber – os mestres pensadores – se organizaram em vanguarda das «massas alienadas» e, à força, começaram a decidir o que o «povo» devia ver, ouvir e sentir. Os telejornais passaram apenas a dar conta, do primeiro ao último minuto, das actividades dos homens de «vanguarda» e de «saber». Instaurou-se a tirania do «saber», do «sentido histórico». Não consta que o «povo», nessas experiências, tenha vivido mais feliz. Antes pelo contrário: derrubaram o muro de Berlim.
Joaninha, a menina que não queria ser gente de Ana Cristina Leonardo (texto) e Álvaro Rosendo (ilustrações), Gradiva, Maio de 2008.