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||| Citações [5.08]

por Tomás Vasques, em 08.02.08

Transcrição parcial de A liberdade não é grátis, Luís Campos e Cunha, Público, 08.02.2008 (sublinhados meus).

«Mas, no actual estado de coisas, aqui como lá fora, retira-se a responsabilidade moral de não fumar para não incomodar o próximo, para se passar à proibição da existência do ser imperfeito, ou seja, do fumador. Daí chega-se à raça superior, que hoje não vem dos genes, mas da proibição e do politicamente correcto consagrado em lei. A possibilidade de errar está proibida e, dentro em pouco, não frequentar um ginásio da moda será tão grave como fugir ao fisco. (…) O único limite à liberdade de cada um é, obviamente, o espaço de liberdade dos outros, que deve ser igual ao meu.
Para já, são pequenas liberdades que estão em causa. Os ataques às liberdades foram fruto da demagogia e do politicamente correcto, mas uma outra linha de ataque à liberdade é bem mais grave e, supostamente, em defesa da liberdade.
As escutas telefónicas (hipotéticas ou reais), as negociatas, os dossiers sobre pessoas, as câmaras de vigilância (legais ou não), minam a confiança e turvam o ambiente de liberdade. Paira permanentemente a suspeição sobre todo e qualquer cidadão. Ele sente isso e, como tal, não é livre.
Para se ter, hoje, a privacidade de há 15 anos só seria possível com um comportamento de psicopata, fugindo das auto-estradas, não usando multibancos, cartões de crédito ou contas bancárias; não entrando em supermercados ou centros comerciais... Tal comportamento seria de tal modo custoso para o próprio e seria socialmente de tal modo estranho que certamente chamaria a atenção de algum bufo, o que justificaria algum inquérito, naturalmente. A privacidade acabou, dentro em pouco será o ataque à intimidade.

E tudo isto em defesa da liberdade. Se tal não for atalhado e a corrida para o abismo não parar, os terroristas podem reformar-se, pois os democratas entretanto fizeram o trabalho por eles

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publicado às 07:40

||| Cenas do quotidiano.

por Tomás Vasques, em 08.02.08

Um meu querido amigo, chamo-lhe agora, aqui, Zé da Esquina, por comodidade e para o manter no anonimato, tem – sempre teve – todas as condições económicas e sociais para ter «bom gosto». Desde logo, por razões de cabedais e família, que me dispenso de pormenorizar. Até tirou um curso superior e é, sem desprestígio, funcionário público. Mas, talvez um código genético ancestral ou, quem sabe, qualquer outra deformação longe do meu entendimento, não lhe deram essa sorte. Não me refiro ao facto de ser um assíduo frequentador da Zara; nem sequer ao facto de não ter um único livro em casa (presumo que nunca terá lido uma obra de ficção em toda a sua vida); e, muito menos, me refiro à «decoração» do seu apartamento, onde jantei duas vezes: um misto de «vitoriano» à Moviflor com requintes de Braz e Braz. Refiro-me, isso sim, ao facto de, quando casou, há vinte anos, ter trocado um apartamento num bairro histórico de Lisboa, com vista sobre o Tejo, construído em 1858, por uma «vivenda» num duvidoso emaranhado urbanístico em Tires, zona cada vez mais degradada. No último jantar, interroguei-o sobre os fundamentos de tal decisão, ao que me disse: terceiro andar sem elevador, sem garagem para estacionar os carros, torneiras a pingar, o soalho carcomido (estamos a falar de casquinha com 150 anos) e por aí fora. Tudo bem, cada um escolhe o que lhe dá na real gana. Mas, ontem, quando visitei o seu blogue e vi a reprodução das imagem dos badalados «projectos de José Sócrates», ainda por cima, com comentários jocosos, não resisti: mandei-o à merda (foi muito mais, mas fico por aqui), por e-mail. Perdi um amigo, mas fiquei tranquilo com a minha consciência.
(Adenda: recebi um e-mail de um anónimo que, pelo bom humor, transcrevo na íntegra: «tu apoias o Sócrates e não sabias como mostrar um daqueles mamarrachos e até te deste ao trabalho de escrever essa treta toda só para mostrar a fotografia. Vai lá vai, até a barraca abana».)

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publicado às 00:04



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