Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




O pessoal de direita não se sente lá muito bem. E com razão. Está órfão de pai e mãe, o que não é coisa fácil. E as desilusões sucedem-se vertiginosamente, umas atrás das outras. Luta desesperadamente para ver os «seus» governar Portugal, mas não lhes sai nada. É como no euromilhões: só sai aos outros. Acalentou a esperança de dias melhores quando, numa noite fria de Dezembro de 2001, inesperadamente, António Guterres bateu a asa. Mas, a sorte foi madrasta. Saiu-lhe um prémio pequeno, quase desprezível: Durão Barroso (a quem não podia perdoar o facto de ter sido, enquanto jovem, um discípulo de Arnaldo Matos e Saldanha Sanches) e Paulo Portas (que tinha sido um dos coveiro do «cavaquismo»). Do mal, o menos. E o mal seria os socialistas estarem no governo. Já antes, outros tinham engolido sapos. Não eram, pois, os primeiros. Eis senão quando o céu caiu em cima das suas imaculadas cabeças. Durão foi tratar «da vida» para outro lado e deixou a «coisa pública» entrega a Santana Lopes. Sentiram-se traídos e envergonhados. O descalabro bateu à porta de tal forma forte que deu aos socialistas a sua primeira maioria absoluta. Restava ainda uma réstia de esperança: a vitória de Cavaco Silva nas presidenciais. Cavaco – o «cavaquismo» em pessoa – meteria rapidamente os socialistas na ordem. Governaria o país. Despedia os socialistas assim que aparecesse a primeira oportunidade (Jorge Sampaio já tinha dado o exemplo ao despedir uma «maioria absoluta»). Ainda pensaram que o discurso da tomada de posse de Cavaco continha a «génese» dos seus desejos. Mas, cedo perderam o pai: Cavaco numa entrevista televisiva, disse, traduzindo para linguagem de café: «Deixem-se de merdas. O País está mal e este governo está a fazer o que é necessário». Ficaram entregues, como estão agora, a Marques Mendes e a Paulo Portas. Compreendo o desconforto. Compreendo a orfandade. Mas não precisavam de se desorientarem ao ponto de copiarem os comunistas: «aí vem o fascismo». ou «Sócrates é um ditador». Não estou a inventar, a paranóia chegou ao ponto de alguém que reclama o estatuto de jornalista escrever «Temo a falta de isenção da justiça, claramente servil ao poder político e ao ditador Sócrates.» porque a directora de um museu apresentou uma queixa-crime por se sentir ofendida contra um (ou vários) escritos do senhor. Felizmente, estamos em democracia e num Estado de direito. Temos a liberdade de apontar o dedo ao poder quando ultrapassa os limites da lei ou do bom senso - coisa que qualquer democrata deve sempre fazer - da mesma forma que uma cidadã que se sente injuriada pode utilizar os tribunais em defesa do seu bom nome ou da sua honra. Alguma direita perdeu a cabeça e, por ironia, quer ultrapassar os comunistas na treta de que o «fascismo» está aí. Mas, sejamos sinceros: os socialistas não têm culpa que a direita tenha entregue os seus combates políticos a Marques Mendes e a Paulo Portas. Ou será que têm e isto é tudo um grande «complot»?

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:33

Citação (2).

por Tomás Vasques, em 09.07.07
«Também acho que devíamos eleger (sim, pela inernet, por 'sms' ou por carta) os cem livros essenciais da nossa cultura, as cinquenta canções da nossa história, os cinquenta mais belos fragmentos paisagísticos do país, os vinte filmes portugueses de sempre, os cinquenta pratos fundamentais da nossa gastronomia - tal como se votou nos cem portugueses. Sou pelas listas e pelas nomeações. Elas ajudam a que se fale das coisas que de outro modo se hão-de perder no meio da bazófia do dia-a-dia e da mediocridade da nossa cultura televisiva. » Francisco José Viegas, JN, 09.07.07. (sublinhados meus).

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:41

Citação.

por Tomás Vasques, em 09.07.07
«As multidões não assobiam nem aplaudem, marram.» Ferreira Fernandes , DN, 09.07.07

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:48

Bruxas...

por Tomás Vasques, em 09.07.07
«Veja-se o que se passou na Freguesia de Benfica, a última freguesia a ser apurada na noite das eleições. Entre os eleitores de Benfica contados pelas mesas das secções de voto e os dos números do STAPE, houve uma discrepância de 387 votos. Ora, curiosamente, a vantagem que a lista de Pedro Santana Lopes obteve nessa freguesia sobre a de João Soares foi precisamente 387 votos». (Eleições Viciadas?, João Ramos de Almeida, página 109)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:33



Arquivo

  1. 2015
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2014
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2013
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2012
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2011
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2010
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2009
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2008
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2007
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2006
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D

Links

SOBRE LIVROS E OUTRAS ARTES

CONSULTA

LEITURA RECOMENDADA.