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Leituras.

por Tomás Vasques, em 03.07.07

Aceitando a «provocação» de Adriana (a Senhora Sócrates, naturalmente), mesmo desprezando o sábio conselho de Séneca – folheio agora este, agora aquele –, aqui vai uma selecção das minhas leituras recentes na área da ficção.



As Bicicletas em Setembro, de Baptista-Bastos, edições ASA. É um amigo, mas é sempre um prazer lê-lo. Desde o primeiro romance (O Secreto Adeus, lido no final dos anos sessenta - ainda conservo esse exemplar, Portugália Editora, 1963 -, onde o autor mistura a sua cidade, Lisboa, com a actividade jornalística, a literatura e a política.) fiquei um fiel leitor de Baptista-Bastos.

Cemitério de pianos, José Luís Peixoto, Bertrand Editora. É uma fidelidade mais recente: desde morreste-me não mais perdi de vista José Luís Peixoto. No Cemitério de pianos, a densidade narrativa não ofusca a envolvente poética.
Longe de Vera Cruz, Enrique Vila-Matas, Assírio & Alvim. É, para mim, uma recente leitura de culto. Imperdoável: li pela primeira vez Vila-Matas o ano passado (Paris nunca se acaba). De modo que, desde aí, tenho procurado recuperar a leitura perdida: seguiu-se Bartleby & Companhia e, agora, Longe de Vera Cruz, para além de Doutor Passavento.
TODO-O-MUNDO, Philip Roth, Dom Quixote. Conhecia Roth de Casei com um comunista, a minha primeira e única leitura do autor. Mas, acho, só o «descobri», agora, com TODO-O-MUNDO. Uma vida – várias vidas – genialmente condensadas em 180 páginas.
O Voo da Rainha, Tomás Eloy Martínez, Edições ASA. O escritor argentino, frequentemente comparado pela crítica sul e norte americana a Garcia Marquez, conta-nos a paixão obcecada do director de um jornal de Buenos Aires por uma jornalista que tem metade da sua idade. Uma história de amor e de poder na boa tradição latino-americana, quer na narrativa, quer nos sentimentos.


E agora tenho que «passar a bola»: ao João Tunes, ao Jorge Ferreira , ao Eduardo Graça, ao Carlos Manuel Castro e ao Raimundo Narciso.

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publicado às 22:43

Subtilezas.

por Tomás Vasques, em 03.07.07
Aqui está uma maneira subtil de Gordon Brown dizer que, quanto à guerra do Iraque, não está de acordo com Tony Blair .

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publicado às 18:20

Viva a Espanha!

por Tomás Vasques, em 03.07.07



«La natalidad en España alcanza su récord desde 1991 : Durante el año 2006 hubo 481.102 nacimientos, 14.731 más que los registrados en el año anterior. La tasa bruta de natalidad (que refleja el número de nacimientos por cada 1.000 habitantes) se incrementó hasta 10,92 desde el 10,75 del año 2005.».

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publicado às 18:02

Eleições viciadas?

por Tomás Vasques, em 03.07.07

João Ramos de Almeida, jornalista, publicou recentemente Eleições Viciadas? - O frágil destino dos votos, autárquicas de 2001 em Lisboa. Com prefácio de André Freire («Este livro é extremamente importante porque revela que os processos eleitorais no Portugal democrático são estruturalmente permeáveis a distorções.»), o livro constitui um alerta, em geral, sobre a contagem de votos e o seu «transporte» até ao Governo Civil, nos actos eleitorais; e, sobretudo, uma denuncia fundamentada das irregularidades eleitorais nas eleições de Dezembro de 2001, em Lisboa. Na introdução, o autor deixa claro o que vai demonstrar ao longo do livro: «Suspeitas de fraude eleitoral têm pairado ao longo dos anos sem uma conclusão. A investigação do Ministério Público produziu 14 volumes e, de acordo com o processo, os indícios revelaram-se fundamentados. (…) Os resultados anunciados pelas entidades oficiais na noite das eleições não coincidiram com os valores constantes nas actas das secções de voto. Alguém, algures entre o apuramento nas freguesias e a comunicação ao Governo Civil, alterou os resultados eleitorais de 27 das 53 freguesias do concelho.» Recheado de factos e de quadros demonstrativos das irregularidades – ou, nas palavras do autor, da fraude eleitoral -, a investigação vale bem uma leitura atenta, pelo menos, agora, para suscitar uma reflexão. Como escreve João Ramos de Almeida: «O resultado final pode inquietar qualquer cidadão que acredite na democracia e que provavelmente nunca se questionou sobre o que efectivamente acontece ao seu voto».

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publicado às 17:37

Agora? (3)

por Tomás Vasques, em 03.07.07


Caro Francisco: é verdade que só parcialmente se justifica a minha pergunta. Sobretudo, porque um regime democrático não pode admitir, num acto eleitoral, irregularidades como as que ficaram provadas nas eleições autárquicas de 2001, em Lisboa. (Não são meras suspeitas). Há o dever de investigar e denunciar a todo o tempo. Recordo-me do dossier da Grande Reportagem - um excelente trabalho. Mas, para o candidato derrotado, João Soares, o assunto ficou morto na noite das eleições. Já depois do telefonema de António Guterres para João Soares a comunicar-lhe o abandono do cargo de primeiro-ministro, começaram os primeiros telefonemas a dar conta de que os votos contados não batiam certos. Foi-lhe sugerido que requeresse ao tribunal a recontagem dos votos. Dispunha de 8 dias para o fazer. Mas, João Soares, se a memória não me falha, terá dito: «Não vou ganhar na secretaria o que perdi nas urnas». E desinteressou-se completamente do assunto, apesar da insistência de um seu amigo, Alberto Silva Lopes , em lhe demonstrar a fraude. E como a história da cidade e do país seguiu outro caminho…

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publicado às 12:39



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