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Cego é aquele que não quer ver.

por Tomás Vasques, em 30.03.07


Mantenho desde há algum tempo uma cordial troca de «galhardetes» com Vítor Dias (O tempo das cerejas). Umas vezes é sobre o papel das manifestações nos regimes democráticos; outras, sobre o significado da "vitória" de Oliveira Salazar num recente concurso de "misses"( sem ofensa...), no qual Álvaro Cunhal foi a primeira dama de honor. Nestas conversas, naturalmente, vem sempre à baila aquilo que é decisivamente importante: democracia versus ditadura. E, como não podia deixar de ser, foge-me sempre a argumentação para a natureza do regime da ex-União Soviética, o qual Vítor Dias sempre defendeu com unhas e dentes. Desta vez, o meu interlocutor (para além de me atribuir um defeito que, sinceramente, julgo não ter: espírito superior), garantiu-me que: «se por acaso ele (Tomás Vasques) fosse do PS, a mim jamais me passaria pela cabeça responsabilizá-lo a ele ou ao PS português pelos crimes das guerras coloniais da Argélia e da Indochina onde o PS francês tanto sujou as mãos de sangue.» Meu caro Vítor: primeiro, eu sou militante do PS; segundo (e aqui reside toda a diferença): ninguém me pode responsabilizar por crimes cometidos por partidos socialistas de outros países porque eu condeno em tempo oportuno tais crimes, da mesma forma que crítico actuações erradas (na minha perpectiva) do PS português, quer enquanto governo, quer enquanto oposição. Ora, quem defendeu a URSS como o «sol da terra» não pode agora sacudir a água do capote; não se pode deixar de assacar responsabilidades por tal defesa. É, sublinho, aqui que reside a diferença que me parece tão elementar com a respiração.

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publicado às 13:12

Citações.

por Tomás Vasques, em 30.03.07

Extracto de As botas de Salazar, de Jorge Almeida Fernandes, Público, 30.03.2007.


«O episódio da "vitória" de Salazar no concurso da RTP confronta a esquerda com a sua histórica dificuldade em pensar o salazarismo. (...) Falo da esquerda e daquela tradição, de matriz comunista ou republicana, que nos "treinou" a pensar o salazarismo não só como regime liberticida mas também, e talvez sobretudo, como autor de todas as pragas históricas e sociais - atraso, pobreza, analfabetismo -, por definição incapaz de mudança e produtor de um país fechado, rural, antimoderno. O retrato político de Salazar oscila entre a hagiografia dos fiéis e os estereótipos da oposição, a quem nunca interessou conhecer o inimigo - era tranquilizador vê-lo como medíocre -, o que lhe custou caro. (...) Uma anedota ilustra a dificuldade de pensar a relação entre regime e mudança. Num manifesto de Janeiro de 1959, "Aos Portugueses", que até era inovador em alguns aspectos, a oposição do Norte, de republicanos a filocomunistas, pedia desenvolvimento mas denunciava o II Plano de Fomento e "excentricidades como a da Ponte sobre o Tejo", exigindo a suspensão das "obras de fachada".Ao longo dos anos 1960, esta representação entra em crise. Portugal conheceu nessa época as maiores taxas de crescimento da sua História. Nascia uma nova classe operária e cresciam os serviços, irrompiam novos temas e formas de luta. Os costumes mudavam aceleradamente. O país rural esvaziava-se. (...)Nos anos 1930, Salazar manipulou e ampliou o papel de um PC débil e quase inerte. O PC servia-se desta propaganda gratuita para mascarar a sua impotência. Salazar escolheu o "papão" comunista não pelo seu potencial de ameaça interna, que era nulo, mas em nome do anticomunismo e do inimigo soviético, que eram reais e pagavam dividendos políticos. Quase até ao fim, o regime tentou apresentar toda a oposição como manipulada pelo PCP. Hoje, é o PCP que devolve o favor, restaurando "objectivamente" a figura de Salazar. A demonização redunda em propaganda do objecto diabolizado

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publicado às 10:04

Até amanhã.

por Tomás Vasques, em 30.03.07
(VALERY KOSORUKOV , Oil on Canvas, 24" x 30")

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