Até amanhã.
Anders Zorn (1860-1920), Diskerskan. 1919.
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O zero e o infinito.O Pedro Correia atribui, e bem, o prémio da coerência em 2006 a Ana Gomes, pelo seu olhar “de esquerda” sobre os ditadores – os “maus” e os “bons”. (Aliás, há também o olhar de direita que enferma da mesma miopia). Mas, enganou-se o Pedro rotundamente na última apreciação: “Sob o sol das Caraíbas, até os tiranos ganham logo um semblante mais doce...” – escreve. Puro erro. Se perguntar a Ana Gomes por Rafael Leónidas Trujillo, que manteve a ferro e fogo a República Dominicana entre 1930 e 1961, ela não lhe encontrará a menor doçura . Donde, não é o sol das Caraíbas que confere a doçura aos ditadores. São as amarras ideológicas. Estas amarras já foram fixadas na literatura há muito tempo. O que leva Ana Gomes a dizer sobre Pinochet o que não é capaz de dizer sobre Fidel Castro é o mesmo que levou Rubachov (Bucarine?), personagem de O zero e o infinito, de Arthur Koestler, quando o condenaram à morte por delito de opinião, nos processos de Moscovo, a dizer: “Vou descrever a minha queda de forma a que ela se torne um aviso para aqueles que nesta hora decisiva ainda hesitam e têm dúvidas quanto à direcção do Partido. Coberto de vergonha, arrastado pelo pó, prestes a morrer, descrever-lhes-ei a triste evolução de um traidor para que sirva de lição e de terrível exemplo a milhões de pessoas no nosso país.” Ambos, Ana Gomes e Rubachov sofrem (sofriam) do mesmo síndroma, com uma substancial diferença: o segundo estava nas mãos (tortura física e psicológica) dos seus algozes; a primeira vive em democracia.
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Por favor.
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Os meus blogopreferidíssimos de 2006.
Obrigado à Carla (à Bomba, como eu prefiro chamar) pela honra de me encaixar nos seus blogopreferidíssimos deste ano. Aproveito para, sem autorização, utilizar a mesma fórmula delicadíssima para referir os meus blogopreferidíssimos* neste ano de 2006:
- A Bomba (Logo pela manhã, a minha curiosidade leva-me a procurar saber como acordou); depois leio um poema do Nuno Júdice, antes de ir conferir quais os pessegueiros que o meu amigo João Gonçalves descascou; ou quais os telegramas certeiros do Francisco José Viegas (mesmo sabendo que me vou irritar com as piadinhas de O cantinho do hooligan); passo então ao Eduardo Pitta (que aparte a sua especialidade, a crítica literária, prima sempre, nos outros assuntos - culturais, sociais ou políticos - pela oportunidade e pelo rigor argumentativo) ao Pedro Correia (como de resto a quase toda a numerosa equipa do Corta-fitas) um "militante" de boas causas e de boas tertúlias; e ao Paulo Gorjão, sempre incansavelmente atento. Sigo então a fragrância de Isabel Goulão e, mais recentemente, o toque classicista de Adriana, sem perder a Teresa e a outra Carla (de Elsinore). *De resto, parafraseando, blogopreferidos são todos os que se encontram na lista ao lado. É por isso que lá estão.
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