Estou boquiaberto (Ou os papéis estão invertidos?).
Por via do Eduardoe de Miguel Abrantescheguei às páginas e páginas do Correio da Manhã sobre as duas personalidades do momento: Maria José Morgado e Carolina Salgado. A primeira, denota uma ingenuidade imprópria da posição que ocupa e das responsabilidades que lhe estão atribuidas ao revelar, minuto a minuto a sua vida, desde a compra dos jornais, ao pequeno almoço, passando pela viagem de metro para o emprego; quanto à segundo revela uma inesperada inteligência e um apurado instinto "político", o qual se pode apreciar aqui: O CM pergunta-lhe: "– Felícia Cabrita, por exemplo, disse que você fala como uma miúda irresponsável." Carolina responde à letra: "– Apesar de ter assumido uma página menos boa da minha vida, também sei, e só quem de direito o saberá, que nunca nada por mim foi conseguido na posição horizontal. Mas prefiro lembrar e até plagiar, com uma pequena alteração, António Aleixo: “Sei que pareço uma donzela, mas há muitas que eu conheço que embora parecendo que não, são aquilo que eu pareço.” E por aqui me fico - Acrescentou. Em 2007, muita tinta vai correr sobre estas duas senhoras.
A ditadura da maioria O Pedro Correiacita Mário Soares, quando este, então Presidente da República, em Novembro de1994, em entrevista ao DN, falou em “ditadura da maioria”, referindo-se à maioria do PSD, liderada por Cavaco Silva, na altura há nove anos como primeiro-ministro. Por analogia, o momento político actual – maioria absoluta do PS – deveria ser visto sobre o mesmo prisma. Mas, o Pedro não acrescentou a passagem seguinte na dita entrevista: "O eleitorado português terá pensado: vamos dar a maioria para que o Governo tenha condições de fazer tudo o que promete. De qualquer maneira, não corremos qualquer perigo maior. O Presidente estará sempre lá para equilibrar o barco, designadamente em matéria de democracia.” (Mário Soares Moderador e Árbitro, Lisboa, Editorial Notícias, 1995, página 51). Por ironia, hoje é Cavaco Silva que ocupa o cargo que Mário Soares ocupava quando falou de “ditadura da maioria”, ou seja, cabe agora a Cavaco “equilibrar o barco”. E parece que não se fez rogado na última entrevista televisiva.