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por Tomás Vasques, em 15.12.06
Véus versus topless.


(Fotografia de Jordan Matter, times square, NY.)

A partir de um texto de Joana Amaral Dias sobre o véu islâmico, no seu estilo pueril, preconceituoso, ligeiro e panfletário, o 5 Dias, através de textos de António Figueira e Nuno Ramos de Almeida, tem esgrimido argumentos bem interessantes, num e noutro sentido, sobre o assunto. O meu olhar sobre esta questão (e já aqui deixei opinião) aproxima-se mais dos argumentos já aduzidos por António Figueira. Hoje, Nuno Ramos de Almeida vem à liça com novos argumentos, os quais assentam, no fundo, em duas premissas, a saber: primeira, os governos que estão a proibir o uso do véu às mulheres muçulmanas na Europa fazem-no alicerçados em dois princípios errados – um: há culturas superiores (a europeia, cristã) e culturas inferiores (a muçulmana); dois: não compete ao Estado fiscalizar o vestuário de cada um. Essa deve ser uma escolha livre, ou seja, se uma mulher muçulmana quer andar de véu não deve ser o Estado a proibir essa opção, como não deve obrigar-me a andar de gravata. De onde conclui que a proibição não é mais do que uma espécie de represália ocidental integrada na luta “contra o terrorismo” numa desastrosa confusão entre muçulmanos e terroristas. Colocada assim a questão até parece que faz sentido ou, pelo menos, parece fazer sentido a quem defende certo tipo de valores. Mas é só na aparência! Na realidade não faz nenhum sentido. Senão vejamos: um dos argumentos usados pelo governo holandês foi a segurança. Não parece displicente o facto de alguém entrar numa carruagem de metro, num autocarro ou num supermercado, cujas vestes, das sandálias à cabeça, não permite identificar se é homem se é mulher, se transporta ou não um embrulho, uma arma, um explosivo. É evidente que, perante a realidade actual do terrorismo, de que os casos de Madrid e Londres não deixam dúvidas, se apodera da maioria das pessoas um sentimento de insegurança. (Isto têm a ver com o “mapa dos medos”. Por exemplo, em Lisboa, em regra, as pessoas têm medo de ser assaltadas precisamente nas zonas onde há menos assaltos). A questão que se deve colocar é a seguinte: os governos devem ou não actuar, nestas circunstâncias, face a um sentimento generalizado de insegurança dos seus concidadãos, devido ao uso de determinado vestuário? Não se trata de proibir ou não o uso da gravata. Não se trata de saber se é superior ou inferior andar de mamas ao léu ou de rosto tapado. Não se trata de uma questão de choque de culturas ou de religiões. Trata-se, apenas, e tão só, de um sentimento de segurança ou de insegurança. O que se pode discutir aqui é uma hierarquia de valores a defender em casos de conflito. É natural que, qualquer governo, nesta conflitualidade, opte a favor dos sentimentos da maioria e esta, na Europa, são os europeus. A outra questão suscitada por Nuno Ramos de Almeida é deveras melindrosa: como avaliar que a mulher muçulmana enverga aqueles trajes de livre vontade ou se é obrigada devido a uma brutal repressão? Ou, pelo menos, devido a uma brutal repressão em relação à maioria das mulheres muçulmanas. Há aqui pano para mangas. E, depois, ainda há, nas relações internacionais, o princípio da reciprocidade. Por exemplo, em Nova Iorque é permitido o topless nas ruas da cidade. Nos países muçulmanos será permitido a uma nova-iorquina andar de mamas ao léu pelas ruas de cidades muçulmanas? Não? Porquê? Eles proíbem o topless! Mas nós não podemos proibir o véu. Mas, porquê? Somos uma cultura inferior? Laxista? Em decadência? Ou apenas temos uma cultura suficientemente tolerante que permite às outras culturas fazerem o que eles não nos permitem a nós? Apesar de ser uma caricatura, a verdade é esta.Mais véu, menos véu pouco importa. O que importa é a tolerância e a convivência e não me parece que tenhamos que receber lições de ninguém, pese embora a II guerra mundial e outrass barbáries de que a Europa foi palco e actriz.

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publicado às 20:02

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por Tomás Vasques, em 15.12.06
O problema do coração.
Há muito tempo que não lia um argumento tão falho de sensatez assinado por alguém que anda há meses no "combate" pelo SIM no próximo referendo. Reza assim: «Às dez semanas, diz o primeiro outdoor da campanha do Não, bate um coração. A mensagem é esta: o embrião está vivo. O simples facto de alguém achar que este outdoor apresenta um bom argumento para convencer indecisos é preocupante. Primeiro, porque grande parte dos animais vivos tem um coração que bate - o que não faz ninguém reconhecê-los como pessoasFernanda Câncio, O coração do problema, DN 15.12.06.

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publicado às 12:50

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por Tomás Vasques, em 15.12.06
Um bom exemplo...
para alguns militares portugueses:«El Ejército chileno expulsa al nieto de Pinochet por su discurso en el funeral». (via Água Lisa).

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publicado às 12:25

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por Tomás Vasques, em 15.12.06

Leituras matinais.

«Marques Mendes não precisa de provar que é um "laranjinha" dos quatro costados. Tem é de provar que existe para além da caricatura do Contra-Informação. Tem um ano para isso, pois já perdeu quase dois anos entretido com o que não interessa para nada. Se conseguir, terá talvez uma hipótese. Se não tentar, se falhar ou se não conseguir, será afastado. Mas, pelo menos, não se terá perdido tudo: terá descoberto que há mais vida para além da política; e está em boa idade para renascer e gozar as deliciosas pequenas coisas com que se faz o dia-a-dia das pessoas normaisJosé Miguel Júdice, Marques Mendes? Quem é? (Público 15.12.06.)

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publicado às 09:07



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