AINDA A ENTREVISTA DE CAVACO.
A propósito de dois textos de Pedro Correia ( I e II), que assino por baixo, apesar do título (aos quais, para melhor entendimento, adiciono este do Francisco), relembro um artigo do Público, assinado por Nuno Sá Lourenço (sexta, 20 de Janeiro de 2006): «Foi visível quando falava de cooperação estratégica com o Governo. "Eu serei o Presidente que se empenhará fortemente para unir os portugueses", prometeu. "Eu serei o Presidente da cooperação", garantiu mais à frente na sua intervenção. Até mesmo quando se referia aos seus apoios partidários, querendo assegurar que não daria privilégios a detentores de cartões de partidos, afirmou: "Todos sabem que eu serei o Presidente de todos os portugueses, serei um Presidente isento." "Serei o Presidente da estabilidade política", afirmou também. » De facto, na entrevista de ontem não houve nada de novo. Ainda bem!
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LOUÇÃ É UM PÂNDEGO.
Num comentário à entrevista de Cavaco Silva, Louçã declarou: “O país está a ser governado pela coligação Sócrates-Cavaco. Estão coligados, têm a mesma visão do que se deve fazer para o país”. O que é que este pândego queria? Que Portugal fosse governado por quem não foi eleito? É natural que o país seja governado por quem foi eleito: Cavaco e Sócrates! Louça esperava que Cavaco tivesse a visão do Bloco de Esquerda? Ou qualquer visão lhe servia desde que debilitasse o governo? O que não seria natural ( não seria democrático para ser mais rigoroso) era o país ser governado pela visão de Louçã e seus comparsas.
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ATÉ AMANHÃ.
Paul Laurenzi, óleo sobre tela - Galerie Marc faugeras.
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FICÇÃO.

Hoje foi notícia a deslocação de José Saramago à Azinhaga, sua terra natal, onde passa o seu 84º aniversário e lançou o 39º livro. Ao ouvir as suas palavras enevoadas pela emoção – um homem não chora, disse –, pensei: o que teria sido o percurso deste homem se, em 1975, a história tivesse tomado outro rumo. E deitei-me a adivinhar: teria saído directamente da direcção do Diário de Notícias para ministro da Propaganda no governo revolucionário presidido pelo Dr. Álvaro Cunhal. Aí, no zeloso desempenho desse cargo, seria a primeira voz a mandar encerrar todos os órgãos de comunicação social contra-revolucionários, a proibir a publicação de todas as obras literárias que não tecessem loas à revolução e a perseguir e a encarcerar todos os artistas que não compreendessem o carácter progressista e revolucionário da revolução democrática e popular dirigida pela classe operária e pelo seu partido – o partido comunista português. Neste período, deslocar-se-ia várias vezes a Moscovo, onde receberia instruções directamente de Leonid Brejnev, Aleksei Kossygin e Nikolai Podgorni, com direito a fotografia ocupando toda a primeira página dos jornais portugueses. Atrevo-me a imaginar que, maldade minha, face à sua ortodoxia, aí pelos anos 78/79, Cunhal o promoveria a ministro do Interior, entregando-lhe a chefia directa das polícias políticas, dos serviços secretos e das prisões. Nessa altura, e com as prisões a abarrotar, defenderia a pena de morte para todos os contra-revolucionários e os inimigos do povo. Com a medalha de herói da União Soviética ao peito nunca mais teria escrito uma linha, a não ser naqueles despachos em que mandava introduzir uma bala na nuca dos presos, nem nunca mais teria voltado à Azinhaga. E dou por mim a pensar como estou feliz por José Saramago ter escrito o seu 39º livro e ter voltado à Azinhaga. Como diz o povo: há males que vêm por bem!
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