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por Tomás Vasques, em 08.11.06
Provincianismo.
«Joyce provinha da capital delapidada de um país que ele descrevia como uma reflexão tardia da Europa, mas, através da sua arte, pô-lo em evidência no mapa. Era um homem cosmopolita por dentro e por fora, um "homem do mundo" em todos os sentidos da expressão. É o que acontece frequentemente com as pessoas oriundas de pequenos países. As superpotências é que, regra geral, são provincianasTerry Eagleton, introdução a Joyce, Vida e Obra, ASA)

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publicado às 23:08

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por Tomás Vasques, em 08.11.06
Jogos de futebol.
Aqui está um desabafo ressentido, ao nível de um guarda prisional. Isto do guarda prisional nada tem de pejorativo. É sobretudo elucidativo porque mistura alhos com bugalhos. Aparece aqui apenas porque me fez lembrar uma história que o Luís Sepúlveda costuma contar aos amigos: estava ele preso nas masmorras de Pinochet, no sul do Chile, após o violento golpe militar de 11 de Setembro de 1973, quando uma noite, já tarde, uns meses depois da sua prisão, um guarda prisional abriu a tampa do alçapão onde os presos se acumulavam e, em voz sumida, na lógica do futebol, disse: em Portugal vocês ganharam.

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publicado às 22:49

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por Tomás Vasques, em 08.11.06
Derrotas eleitorais.




















As eleições de ontem para a Câmara dos Representantes e para o Senado nos Estados Unidos fazem-me lembrar as eleições autárquicas de 2001, na sequência das quais António Guterres se demitiu. Na altura, O ex-primeiro ministro interpretou – e bem – que os desastrosos resultados eleitorais para as autarquias constituíam uma condenação das políticas do governo central. Nestas eleições norte-americanas passou-se o mesmo, obviamente noutra escala, apesar da cegueira de quem não quer ver. Ainda ontem alguns “especialistas” nestas coisas da política escreviam, com “autoridade” e alguma ironia, coisas do género: “A SIC-Notícias tem colocado num rodapé estático sempre que não está em publicidade: «A derrota de Bush às 22h». E eu a pensar que ontem tinham sido as eleições para o Congresso.” De facto Bush não disputava directamente eleições (como Guterres também não disputava), mas os resultados desastrosos destas eleições (mais desastrosos ainda se os resultados na Virgínia forem favoráveis aos Democratas) constituíram uma condenação da política presidencial, sobretudo na questão da invasão do Iraque e suas consequências. Bush, tal como Guterres, entendeu o recado (alguns “especialistas” aqui na lusa pátria ainda não entenderam porque estão meio atordoados). E, em consequência, não se demitiu como Guterres, mas demitiu o “arquitecto” da guerra do Iraque. O que me deixa perplexo é o facto de serem as mesmas vozes que, em 2001, colocaram Guterres no centro dos resultados eleitorais das autárquicas que hoje querem esconder Bush debaixo do tapete e gritam que as eleições foram para o Congresso. Haja bom senso!

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publicado às 21:51

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por Tomás Vasques, em 08.11.06
Emprego vs. Desemprego.
«Das 900 mil pessoas convocadas anualmente para um emprego ou acções de formação 100 mil recusam a oferta» DN, Economia, 08.11.06

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publicado às 13:14

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por Tomás Vasques, em 08.11.06
Eleições.
Nos Estados Unidos, as projecções dão aos Democratas a maioria na Câmara de Representantes, o que não acontecia há doze anos. A Casa Branca já admitiu a derrota. Parece que Nancy Pelosi vai ser mesmo a primeira mulher na história dos EUA a presidir à Câmara de Representantes. "Esta noite é uma grande vitória para os americanos", afirmou Nancy Pelosi. *
(*Não me custa nada admitir que este "post" pode ser assim interpretado).

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publicado às 08:59

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por Tomás Vasques, em 08.11.06
Notícias.



Todos os dias - todos sem excepção - nos dão estas notícias: «Atentado suicida faz 17 mortos num café de Bagdad». Já ninguém dá a menor importância a estas mortes. Esta situação faz-me lembrar o que o escritor José Marmelo e Silva me contou um dia, há muitos anos, a propósito de qualquer episódio que agora não me ocorre: a D. Carminda, senhora de pergaminhos burgueses, tinha por longínquo hábito, após o almoço, dormitar enquanto lia o seu jornal preferido – O Século. Sentada na poltrona junto à janela ia folheando o jornal à medida da sonolência. Na página das notícias internacionais leu o título em parangonas: «Terramoto na Índia provoca 46 000 mortos». Seguiu de imediato para a página seguinte sem se deter nos pormenores do cataclismo na Ásia, depois de passar pelas brasas mais uns minutos. «Coitados» – disse a meia voz ao ler nas notícias nacionais: «Despiste de autocarro na Pampilhosa da Serra provoca 4 mortos e 16 feridos». Na intermitência entre a leitura e o dormitar chegou à Local, onde se demorou por muito tempo até passar os olhos pelo canto inferior direito da página. «Meu deus, que desgraça» – quase gritou quando leu a meia dúzia de linhas que compunha: «O coronel reformado Flávio Costa, ilustre benemérito desta cidade, foi ontem atropelado na Avenida da Boavista. Transportado de imediato ao hospital, e depois de submetido a vários exames médicos, foi diagnosticado uma fractura da perna esquerda. O senhor coronel já se encontra em sua casa em convalescença. «Maria, Maria» – gritou alvoraçada a senhora D. Carminda – traz-me o xaile depressa que tenho que ir visitar o senhor coronel. O "nosso" mundo é sempre mais importante do que o mundo dos "outros".

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publicado às 01:35



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