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por Tomás Vasques, em 28.10.06
Ler os outros:
«Seria um acto de coragem Carvalho da Silva vir a público assumir a estratégia concertada para vaiar Sócrates sempre que ele aparece em público.», no Jumento.

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publicado às 22:36

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por Tomás Vasques, em 28.10.06
Daniel Ortega, o aborto e as eleições na Nicarágua.
No dia 5 de Novembro há eleições presidenciais na Nicarágua. Daniel Ortega, antigo presidente do segundo país mais pobre da América Latina, é o candidato da Frente Sandinista de Libertação Nacional e está à frente nas sondagens. Acontece que, nesta campanha eleitoral, o grande tema de debate está a ser a questão do aborto. A Igreja Católica exigiu que se eliminasse do Código Penal o artigo que protege o aborto terapêutico (violações e risco de vida para a mulher grávida), único permitido. A maioria dos deputados está de acordo com a Igreja Católica. Mas, a principal surpresa veio da Frente Sandinista e do candidato Daniel Ortega que se declarou o maior aliado do “direito à vida”. Em Portugal, os partidários do não têm agora um companheiro à altura das circunstâncias (a que grande parte deles chama ditador). Para que não restem dúvidas sobre os argumentos de Daniel Ortega, transcrevo as declarações da porta-voz e chefe da campanha eleitoral, Rosario Murillo, esposa do próprio candidato: “No al aborto, sí a la vida!" Nuestros candidatos, nuestros líderes, nuestros Alcaldes, nuestros Diputados... nuestra Bancada va a emitir un pronunciamiento el día de hoy. Somos enfáticos: "No al aborto, sí a la vida! Sí a las creencias religiosas; sí a la fe; sí a la búsqueda de Dios, que es lo que nos fortalece todos los días para reemprender el camino”. Há aliados que não lembram nem ao Diabo!
PS: Como reagirá a malta do PCP/BE a este contratempo? Assobia para o ar, como é hábito? E este pessoal todo: Blogue do Não, Pela Vida, Quero Viver, Razões do Não, Sou a Favor da Vida, Viver a Sua Vida, também assobia para o ar?

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publicado às 21:17

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por Tomás Vasques, em 28.10.06
Mãos vazias.
Quero um poema puro, um poema duro,
Um poema grito.
Quero um poema estrondo, um poema urro,
Um poema bramido.
Quero um poema guerreiro, um poema aguerrido,
Um poema combate.
Quero um poema bomba , que tudo destrua,
Que tudo arrase…
….
E quero caminhar sobre as cinzas,
E descobrir os meus pedaços,
E reconstruir o presente,
E soltar o meu grito de combate:
Eis-me!
Dura, inteira, guerreira! ~
Eis-me!
Caneta-arma,
Caneta-amor!
Soltando o meu poema duro,
Cantando e chorando a dor.
Gritando o meu poema urro,
Entoando cantos de amor.
E dando-me em cada verso.
E entregando-me em cada poesia.
E ficar só…
Tão só no fim do poema,
Estendendo as mãos vazias.

(encandescente, Erotismo na Cidade)

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publicado às 01:29

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por Tomás Vasques, em 28.10.06
Brincadeiras.
Marcelo Rebelo de Sousa continua a brincar aos políticos, como a minha prima brincava com bonecas quando era pequenina, mas poucas dúvidas restam de que é mais um sinal da corrida à sucessão de Marques Mendes.

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publicado às 01:19

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por Tomás Vasques, em 28.10.06
O aborto.

Sobre esta “história” do aborto (ou da IVG), um assunto incontornável até à realização do referendo, Eduardo Pitta (Da Literatura) ao escrever: “Ponto um: não gosto de referendos. Ponto dois: o aborto não é matéria referendável. Existe uma lei que é para cumprir.”, exigiu-me uma reflexão, sobretudo porque estou completamente de acordo com ele, incluindo o não gostar de referendos. No entanto, tudo isto tem um percurso. Em primeiro lugar, repito: a lei actual é suficiente para que a esta questão não se colocasse mas, no entanto, é dispensável dizer que a lei actual é letra morta (devido à confluência de vários poderes) e, por mais voltas que se dê, não é possível ressuscitá-la. Em consequência é necessário encontrar uma solução – uma nova lei para ser cumprida que ultrapasse os “traumas” actuais. Há quase 10 anos, em finais de 1997, a Assembleia da República, aprovou essa necessária Lei de despenalização do aborto (com o meu voto favorável, enquanto deputado do PS). Depois da aprovação da Lei, António Guterres, então primeiro-ministro, e Marcelo Rebelo de Sousa, então líder do PSD, acordaram que esta só entraria em vigor após referendada. O referendo realizado teve os resultados que todos conhecemos. A partir desse momento, goste-se ou não de referendos, a aprovação de qualquer Lei de despenalização do aborto deixou de ser uma matéria da competência política do Parlamento. Só por referendo se pode resolver esta questão. Ora, não sendo possível aplicar a lei actual (e não vale a pena argumentar com o irrealista “devia ser cumprida”) que resolveria satisfatoriamente esta questão; nem sendo politicamente ajustado encontrar uma solução no quadro da Assembleia da República, não resta outra solução senão promulgar uma nova lei, sufragada em referendo e que, vou ser crédulo, possa ser aplicada. Por isso, vou votar sim no referendo.

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publicado às 01:04

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por Tomás Vasques, em 27.10.06
Arder em lume brando.
A quase três anos de eleições legislativas a sondagem hoje publicada pelo DN, que tantos comentários suscitou, é favorável ao PS (e ao Governo) e impiedosa para a única oposição susceptível de substituir o PS no Governo – o PSD. Deixemo-nos de subterfúgios e de paninhos quentes: um governo (e um partido) fustigado durante quinze dias por calinadas sucessivas de vários dos seus ministros e secretários de Estado – desde que o ministro da Economia “acabou” com a crise, os seus parceiros tomaram o gosto pelo disparate – e por uma manifestação, a propósito da qual “todos os observadores bem colocados” consideraram tratar-se do maior protesto nacional dos últimos vinte e cinco anos, digamos que, no mínimo, é obra, neste quadro, recolher intenções de voto no limiar da maioria absoluta. Se lhe juntarmos o facto de, no mesmo período, ter sido apresentado um Orçamento de Estado recheado de “atentados às classes trabalhadoras” e de algumas gaffes técnicas, podemos mesmo dizer que Marques Mendes não convence ninguém. Na circunstância, e durante os próximos tempos, um a dois anos, ninguém está interessado em jogar pela borda fora o inócuo líder do PSD: nem o PS, nem o PCP/BE; nem o PSD – todos por razões óbvias. Marques Mendes está, pois, a arder em lume brando!

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publicado às 23:49

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por Tomás Vasques, em 26.10.06
Citações.
Por não ter link disponível, transcrevo excerto de A degradação da privacidade e da intimidade, de José Pacheco Pereira, no Público de hoje. (Sublinhados meus).

«Tudo começou no Expresso de 14 de Outubro, há apenas dez dias. É verdade que já havia nas revistas do coração e nos tablóides uma exploração do mesmo tema, mas nunca tinha chegado à imprensa que se pretende séria e responsável. Para se perceber como é que a coisa funciona, basta seguir a sequência: no dia 14, o Expresso titula na primeira página "Casal Sócrates pelo sim", referindo-se à presença de José Sócrates enquanto secretário-geral do PS e uma jornalista descrita como sua "namorada" num debate sobre o aborto. O título era completamente abusivo: a presença dos dois na sala e o facto de fazerem intervenções sobre o mesmo tema era mais que justificado pela circunstância de ambos, cada um de per se, como indivíduos, terem revelado interesse pelo tema e pela causa e não por serem um "casal" que era o que o título queria dizer num mecanismo puramente tablóide. Acresce que, quer um, quer outro, independentemente das relações que tenham ou não tenham, são pessoas que mantêm sobre a sua vida privada uma sadia reserva que cada vez menos se observa em pessoas sujeitas a uma exposição pública. O título do "casal" não tinha qualquer relevância jornalística, destinava-se apenas a alimentar o voyeurismo de um público que respeita pouco ou nada da privacidade alheia. Não havia um átomo de interesse público em tal "revelação", ou sequer na sugestão ofensiva para a individualidade de cada um, e aqui obviamente mais ofensiva para a mulher do que para o homem, de que ela vale mais como parceiro de um "casal", do que pelo seu mérito próprio. Os jornalistas do Expresso não podiam deixar de saber o que estavam a fazer. Quem conhece os mecanismos da comunicação e a selvajaria deontológica em que está hoje mergulhada sabe muito bem que, quando um jornal de "referência" faz aquele título, abre as comportas a uma enxurrada que, a partir da intromissão de privacidade inicial, normaliza o delito. O Expresso deu legitimidade a que todos pudessem voltar a atenção do seu voyeurismo, do seu machismo, para o "casal", neste caso em particular para a "namorada". E nos últimos dez dias a enxurrada do lixo tablóide aberta pelo Expresso levou outra vez todas as revistas do coração a pegar no mesmo assunto, agora já livres do gueto inicial onde estavam acantonadas e mais à vontade para irem mais longe, e a imprensa séria a colocar-se ao mesmo nível. Hoje [ontem], no momento em que escrevo, a Focus tem como título da primeira página "Conheça a namorada do 1.º ministro", e a procissão ainda vai no adro

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publicado às 08:34

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por Tomás Vasques, em 26.10.06
Pequenos prazeres.
«Luanda, 24 Out (Lusa) - O Presidente de Angola visita a Rússia entre 30 de Outubro e 01 de Novembro, a convite do homólogo russo, Vladimir Putin, para reforçar as relações de corrupção bilaterais, foi hoje anunciado em Luanda.
[1º parágrafo de um telex da Lusa emitido ontem (24 OUT 2006) pelas 20h35]»
(via Glória Fácil)

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publicado às 00:17

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por Tomás Vasques, em 25.10.06
Contributos.

Tenho lido atentamente os textos (
1, 2, 3) que Maria do Rosário Fardilha tem escrito no Divas & Contrabaixos a favor da despenalização do aborto nas condições previstas na pergunta a referendar. Da mesma forma que leio-o todos os textos sérios e convictos contra a despenalização, como é o caso de Francisco Sarsfield Cabral (que é capaz de escrever: "Claro que nem toda a gente partilha esta minha convicção. E eu respeito quem pensa de outra maneira.") O que não tenho é pachorra para ler clichés, frases feitas, propaganda primária e o ruído próprio de quem nada tem para dizer (às vezes a raiar um fundamentalismo que se confunde com atraso mental ou vice-versa), seja produzida por um ou por outro lado, do tipo "betinhos" e “associações católicas de famílias numerosas” ou Odete Santos e os padrecos do Bloco de Esquerda.
PS: A propósito, onde é que isto se integra?

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publicado às 23:24

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por Tomás Vasques, em 25.10.06
Até amanhã.
(Amedeo Modigliani - Livorno, 12 de Julho de 1884 - Paris, 24 de Janeiro de 1920)

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publicado às 00:34

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por Tomás Vasques, em 25.10.06
Política e literatura.
«Cada vez que me han perguntado por qué estuve dispuesto a dejar mi vocación de escritor por la política, he respondido: "Por uma razão moral". Pero alguien que me conoce tanto como yo, o acaso mejor, Patricia, no lo cree así. "La obligación moral no fue lo decisivo - dice ella -. Fue la aventura, la ilusión de vivir una experiencia llena de excitación y de riesgo. De escribir, en la vida real, la gran novela.» (Mario Vargas Llosa, El pez en el agua)

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publicado às 00:13

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por Tomás Vasques, em 24.10.06
Conselheiros Acácios.


Esta semana passou pela blogosfera uma pequena polémica bem interessante, quer pelo tema, quer pelo conteúdo dos argumentos: casamentos e protecção equivalente nas uniões de facto, quer entre pessoas de sexo diferente, quer entre pessoas do mesmo sexo. A partir de umas frases sobre costumes de Agustina Bessa-Luís, numa entrevista ao Sol,
João Gonçalves dissertou sobre o tema. Eduardo Pitta complementou com A Sibila e os maricas, a que veio acrescentar novos textos, como resposta a Helena Matos ou como esclarecimentos. Alguns blogues – poucos – comentaram os textos citados. De qualquer modo, uma coisa é certa: parece que o tema não suscitou a habitual participação da maralha que opina sobre tudo. Não tenham dúvidas, o Eça tinha razão: a maioria dos portugueses são verdadeiros Conselheiros Acácios.

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publicado às 23:34

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por Tomás Vasques, em 24.10.06
Para ler e pensar:
«Ser professor na Suécia».

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publicado às 22:19

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por Tomás Vasques, em 24.10.06
Rótulos.
Ontem, ao visitar pela primeira vez o blogue do não, deparei-me com a epígrafe do blogue: “PORTUGUESES LIVRES”, a qual me suscitou uma observação à volta da presunção e da água benta. O meu querido amigo João Gonçalves, um espírito livre, informado e acutilante, não enfiou a carapuça e, na volta do correio, deu-me a explicação sobre tal epígrafe. João: compreendi as tuas razões, mas não posso estar de acordo. Porque Portugueses livres há nos dois lados, no lado do sim e do lado do não, e hipócritas também há nos dois lados, como tu bem sabes. Por isso, a questão não passa por aí. Infelizmente, não há nada a fazer (por culpa de ambos os lados): este debate é sobretudo um debate político, um confronto alicerçado na velha dicotomia esquerda-direita, no qual as verdadeiras razões que fundamentam as opções em causa vão ser apenas vagamente afloradas. A propósito: o blogue do não já tem hino! É lindo!

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publicado às 19:49

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por Tomás Vasques, em 24.10.06
Ainda agora a procissão vai no adro...
« posts que fazem mais pelo "sim" que milhões de manifestações de barriga ao léu. Caro Jorge, continue assim que ajuda todos os apoiantes do "sim"

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publicado às 00:04




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