"59 segundos"
A TVE tem um famoso programa de informação às quartas-feiras à noite. É actualmente apresentado com sucesso por Ana Pastor, esta jovem jornalista aqui ao lado. Mas o mais importante do programa, para mim, reside no facto dos entrevistados - jornalistas, políticos e personalidade de destaque convidada - dispôr de 59 segundos, de cada vez, para dizer o que tem a dizer. Acabado o tempo o microfone desaparece - é engolido pelo buraco de onde surgiu, deixando o entrevistado sem som. Gostava de ver os nossos palavrosos políticos, jornalistas e comentadores dizerem o que têm a dizer nos tais 59 segundos. Muitas vezes em 2, 3 ou 4 minutos pouco dizem e estão sempre com queixinhas: não lhes dão tempo suficiente para responder às questões, argumentam. Introduzam em Portugal um programa de informação com este formato e vão ver que teremos uma surpresa: muitas pessoas dirão mais em 59 segundos do que nos 3 ou 4 minutos que normalmente usam.
Autoria e outros dados (tags, etc)
O Nobel também serve para isto:
Comprei há quase dois anos o romance Os Jardins da Memória, de Orhan Pamuk. Manteve-se na estante, inviolável, desde o dia da compra, à espera de uma oportunidade de leitura. Foi sempre, durante estes dois anos, ultrapassado por outras leituras. Provavelmente - confesso -teria o destino de alguns outros livros que vou comprando e que, por falta de tempo, ficam "abandonados" ao pó das estantes. Sorte: este vai saltar do sítio onde adormeceu ainda hoje. (Ontem transcrevi um parágrafo de Mario Vargas Llosa, Travessuras de menina má, na esperança de acertar no Nobel deste ano, mas isto é como o euromilhões nunca acerto.)
Autoria e outros dados (tags, etc)