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José Manuel Fernandes trata, hoje, no Público, o presidente do Supremo Tribunal de Justiça abaixo de cão. Não sei se é um excesso de zelo do editorialista na defesa do pacto da Justiça ou se tem razão. Mas se assim for - se tiver razão - ainda é mais grave. Se a terceira figura do Estado e a primeira do Poder Judicial é assim retratado e maltratado, o que nos resta? Transcrevo a parte final do texto A estratégia da aranha (sublinhados meus):
Em Setembro de 1877 morreu Alexandre Herculano. Todos os anos, em Setembro, passa mais um ano sobre a sua morte. A vulgaridade do acontecimento enforca-nos no esquecimento. Herculano nada diz aos nossos jovens porque a Educação nos nossos dias apela mais ao esquecimento do que à memória. Por isso, relembro aqui um texto de Vitorino Nemésio (Se bem me lembro...) sobre Herculano: «Mais do que um escritor, ele foi o que se chama uma pessoa; quer dizer: aquilo que responde por si diante do universo e que deus não deixa perecer. Uma pessoa conhece-se pela consciência, como um veleiro pelas velas, e a de Herculano era vasta e de muito vento. O seu temperamento, tipicamente português. Oliveira Martins, que sabia disto de homens, chamou-lhe “um D. João de Castro da burguesia do século XIX”, e era. Nós de D. João de Castro sabemos sobretudo a história das barbas empenhadas; mas isso chega. Eram os tempos fantásticos em que, como diz um amigo meu, esta estupenda afirmação de um homem por um pelo era possível.»