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«O Dr. Dantas, homem de letras, fora ministro em vários governos da 1ª República, mas aceitara depois de 1928 colaborar com Salazar. (...) A mocidade do seu tempo não o levava muito a sério. Ele tornara-se o protótipo do academismo e da afectação. O movimento futurista tomou-o por isso para cabeça de turco, e rompeu com o «manifesto anti-Dantas», que começava por uma invectiva: «Dantas pim, Dantas pan, Dantas pum, Dantas pim, pan, pum». E às tantas entre os pecados que lhe assacava, acusava-o: «O Dantas usa ceroulas de malha». Todos ríamos desta frase que atribuiamos à imaginação de Almada Negreiros. O diabo é que, quando fui companheiro de apartamento de Júlio Dantas no Copacabana Palace, verifiquei com espanto que era verdade.» (As minhas memórias de Salazar, Marcelo Caetano, edição Verbo, pág. 242,243).
Até há 5 anos atrás a data de 11 de Setembro recordava-me sempre o dia do mais violento golpe militar na América Latina; da morte de Salvador Allende e de milhares de chilenos assassinados, encarcerados e torturados apenas por pensarem que a democracia é um bem precioso. No fundo, recordava uma estranha relação entre defesa da democracia e a morte. Desde há 5 anos, quando milhares de inocentes norte-americanos morrerem às mãos do extremismo islâmico, esta data reforçou ainda mais as minhas recordações sobre essa estranha relação entre democracia e morte. Tal como no Chile venceu a democracia – foi só uma questão de tempo, também no mundo vai vencer a democracia – é, também, só uma questão de tempo. (A repulsa pelos golpistas chilenos de 1973 e pelos terroristas islâmicos de 2001 dá uma liberdade e uma tranquilidade que, quem atenua , mesmo secretamente, as acções de uns ou outros, não conhece. O mundo só está dividido em dois na cabeça dos "mestres pensadores").