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Li este fim-de-semana, finalmente em português, Celestino antes da madrugada, de Reinaldo Arenas – uma das mais importantes testemunhas da vida social, cultural e política de Cuba das últimas décadas. (edição da Âmbar). Tinha lido Celestino antes da alba, Edições Union, Havana, 1967 – única edição cubana, esgotada em menos de um mês – e com uma dedicatória de Arenas, que diz: “Cara Maria: saludándola como una de las mulheres mais inteligentes com que he tenido la suerte de tropezar-me y que contribui com su personalidad para el enriquecimiento de este mundo maravilloso como es la Biblioteca Nacional. Mi sólido abrazo de su amigo de siempre, Reinaldo Arenas, 1967." Encontrei esta preciosidade nos “subterrâneos” de Havana, em 1992, já depois de ter lido Antes que anochezca, editado nesse ano pela Tusquets. Li toda a obra literária de Arenas, mas é uma boa notícia saber que a Âmbar vai publicar toda a obra de Reinado Arenas. Segue-se El Palácio de las Blanquíssimas Mofetas.
A propósito da comparação entre os “voos da CIA” e o “caso PCP/FARC”, veio-o me à memória um episódio passado no começo dos anos 80. Três centenas de deserdados da esquerda (uma parte substancial acabou no PS e alguns no PSD), numa reunião no Hotel Roma, pretendiam discutir as bases programáticas de uma NOVA ESQUERDA. O PCP, sempre avisado sobre estas movimentações, enviou uma bateria de submarinos, os quais dominaram quase por completo a lista de inscrições. Obviamente, cada um deles ia ao estrado tecer loas ao PCP, defendendo-o como o “grande e único” partido de esquerda em Portugal. As intervenções que entremeavam com as dos comunistas procuravam rebater os seus argumentos e, rapidamente, a discussão descambou para a União Soviética: ditadura ou democracia era o mote. Passaram-se horas até que alguém (recordo-me quem, mas não cito o nome) chegou ao estrado e, com toda a clareza, disse com voz de trovão: meus amigos, esta discussão é uma estupidez porque não faz sentido discutir o que quer que seja com quem acha que a União Soviética é uma democracia. Para bom entendedor, meia palavra basta.Passemos, pois, à frente!
Saber se os paramilitares na Colômbia existem pelo simples facto das FARC existirem ou se é o inverso é uma discussão tão interessante com a do ovo e da galinha. Afinal foi o ovo ou foi a galinha?
(Eider Astrain, Medias, óleo y carboncillo sobre lienzo).