Notas "sobre a proporcionalidade".
Estava à espera de uma pausa para escrever algumas notas "sobre a proporcionalidade". Alinhavei alguns argumentos e algumas dúvidas, enquanto me dirigia para casa. Antes de começar a escrever, li: «O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, pediu hoje a Israel que conduza uma investigação ao bombardeamento israelita que visou “aparentemente de forma deliberada” um posto dos observadores das Nações Unidas no sul do Líbano, provocando a morte a quatro funcionários onusianos.Os observadores morreram quando uma bomba israelita atingiu o edifício e abrigo do posto de observação da ONU em Khiam, perto da fronteira com Israel no sul do Líbano, indicou, por sua vez, o porta-voz da força interina das Nações Unidas (Finul), Milos Strugar. Ainda de acordo com o Strugar, equipas de socorro desenvolvem operações de busca entre os destroços do edifício para tentar encontrar outras eventuais vítimas do bombardeamento, mas que apesar da operação de socorro “Israel continua a atacar” a zona.» Após a leitura, disse para com os meus botões: para quê escrever "sobre a proporcionalidade". Há factos que valem mil palavra. E, para já, por aqui me fico. (O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, quando diz “aparentemente de forma deliberada” está a ser um amigo de terroristas?)
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O mundo a preto e branco.
Cá no burgo, há cientistas políticos que, se chegassem ao poder, Portugal só estabeleceria relações (diplomáticas, económicas, comerciais e outras) com países da mesma cor ideológica. É o mundo visto a preto e branco, o que quer dizer: eles acham que são os brancos.
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Dúvidas, quem as não tem?
Se não se consegue descortinar a noção de resposta proporcional numa guerra, também não se encontrará nunca a noção de legítima defesa. Quando se evoca esta última noção é necessário encontrar a primeira.
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Apenas caos.
Range-oDente não concorda com o que aqui escrevi: o Iraque, hoje, é apenas caos, destruição e morte. Compreendo os argumentos, mas não estou de acordo. A propósito transcrevo parte de um texto de Teresa de Sousa publicado hoje no Público: ."Bem-vindos à nova desordem multipolar mundial", escrevia Timothy Garton Ash nas páginas do Guardian, exprimindo da forma mais concisa e mais precisa aquilo que começa hoje a ser visto como a mais séria ameaça à estabilidade e à segurança mundiais: a fraqueza dos Estados Unidos da América e a sua crescente incapacidade para liderar o mundo. Hoje, conhecemos o princípio desta história - a decisão unilateral de mudar pela força o regime de Saddam Hussein e de, por essa via, redesenhar o mapa do Médio Oriente. E já conhecemos também alguns dos últimos capítulos. O Iraque, que afinal não era a Alemanha pós-nazi, está hoje mergulhado no caos, muito longe da democracia e muito perto da guerra civil. A ameaça do poderio militar americano não levou à transformação democrática do Grande Médio Oriente, pelo contrário, alimentou o fundamentalismo islâmico e a sua arma do terror. O Hamas venceu as eleições na Palestina. O Hezbollah, apesar das transformações democráticas do Líbano graças ao empenho concertado de Paris e Washington, ameaça abertamente Israel. O próprio Líbano está à beira do colapso. E o Irão vai alimentando as chamas que ameaçam incendiar toda a região, enquanto prossegue desafiadoramente a sua política nuclear e apela a que Israel seja pura e simplesmente varrido do mapa. Ainda ontem voltou a fazê-lo. No Afeganistão, as tropas da NATO enfrentam cada vez maiores dificuldades para estabilizar o país. A Coreia do Norte desafia abertamente os Estados Unidos». (sublinhado meu).
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Conceitos antigos
A condenação da desproporcionalidade dos meios usados na legítima defesa é um conceito jurídico, cultural e social muito antigo. Não é possível desfazê-lo na consciência colectiva de um dia para o outro. Mas se, por triste sina, isso acontecesse regredaríamos séculos de civilização.
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