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por Tomás Vasques, em 24.07.06
Tu sabes que eu sei que tu sabes (resposta pública a um e-mail identificado):
1) Que a invasão do Iraque, que tu apoiaste (e, hoje, tens vergonha de recuar nessa posição) foi um "abuso de poder" militar do Ocidente, sobretudo dos EUA e da Inglaterra, que fracassou em toda a linha: nem armas de destruição massiva; nem retrocesso do terrorismo; nem democracia aerotransportada; nem paz na região - nada. Apenas caos, destruição e morte: centenas de milhares de mortes. Mas os mortos no Iraque estão longe. São apenas números, como se não tivessem mulher, filhos, mães, irmãos, enfim, uma vida igual à tua. Tens a sorte de viver nas Telheiras onde nada acontece, a não ser teres de ir passear o cão às onze da noite. A invasão do Iraque foi um desastre e cada dia que passa o confirma.
2) Que a existência do Estado de Israel não está em causa: tem o maior poderio militar da região e o apoio do Ocidente. Mas, depois dos esforços de Ariel Sharon, os novos dirigentes israelistas decidiram que tinha chegado o momento de "meter na ordem" o Hammas (alguém falou em eleições no Iraque?) e o Hezbollah. E é por isto que te regozijas com a destruição de Beirute. Resultado: caos, destruição e morte. Morrem aqueles que não têm cão para passear à noite. Esta retaliação israelita é um desastre e cada dia que passa o irá confirmar.
3) Já te disse pessoalmente (e volto a dizer agora): se tivesses idade para isso, em 1961, terias dito: "Para Angola, já e em força". Como sabemos foi um desatre.
A História não perdoa! O pior é que nos acomodamos a esta situação de destruição e morte como se nada de especial acontecesse. Analisamos política e intelectualmente a situação e arrumamos os mortes na coluna estatística dos "danos colaterais". E sabes porquê? Porque temos um cão para passear; um piriquito para tratar; um bom restaurante para jantar. Só por isso, cagamos de alto!

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publicado às 23:15

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por Tomás Vasques, em 24.07.06
Leituras de fim de semana


À procura de Sana, de Richard Zimler, é uma boa história, muito bem contada, para além da acidental oportunidade: duas mulheres, Helena e Sana, amigas desde a nascença, com a particularidade de uma ser israelita e a outra ser palestiniana. Zimler nasceu em Nova Iorque, é judeu, um excelente escritor e um profundo humanista. (Mais não acrescento porque estou de acordo com Manuel António Pina: «De certa forma, a crítica literária será sempre contra a escrita e a edição. Nada do que possas dizer me fará voltar a escrever sobre os livros dos outros. Desculpem-me, outros sobre quem ousei escrever».

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publicado às 22:06

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por Tomás Vasques, em 24.07.06
Perguntar não ofende
Há avanço nas investigações sobre o autor que "pirateou" o Abrupto?

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publicado às 20:53

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por Tomás Vasques, em 24.07.06
A teoria da guerra justa
A teoria da guerra justa é antiga. Era justa a guerra dos povos colonizados contra os colonizadores. E sendo justas as guerras de libertação nacional, logo se desculpava (em nome de valores superiores) quaisquer atrocidades cometidas pelos guerrilheiros dos movimentos de libertação nacional contra colonos civis. Estas matanças eram irrelevantes para o processo histórico. E quem levantasse o dedo para colocar uma dúvida estava ao lado dos colonizadores. Hoje, a guerra que Israel mantêm contra os seus vizinhos, sobretudo aqueles que querem riscar do mapa o Estado de Israel é, também, para muito boa gente, uma guerra justa. E, assim sendo, quaisquer atrocidades e matanças de civis estão desculpadas. E quem levantar o dedo para colocar alguma dúvida… mesmo quando:
«Responsável da ONU chega a Beirute e acusa Israel de estar a violar direitos humanos».
ou
«Condoleezza Rice "profundamente preocupada" com a situação do povo libanês ».
ou
«Nações Unidas pedem 150 milhões de dólares para os 800 mil refugiados do Líbano ».

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publicado às 19:18



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