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por Tomás Vasques, em 15.02.06
Memórias. O saudoso escritor José Marmelo e Silva, contou-me um dia, há muitos anos, talvez em 1966, se as contas não me falham, a propósito de qualquer coisa que não me ocorre, a seguinte história: a D. Carminda, senhora de pergaminhos burgueses, tinha por longínquo hábito, após o almoço, dormitar enquanto lia o seu jornal preferido – «O Século». Sentada na poltrona junto à janela ia folheando o jornal à medida da sonolência. Na página das notícias internacionais leu o título em parangonas: «Terramoto na Índia provoca 46 000 mortos». Seguiu para a página seguinte sem se deter nos pormenores, depois de passar pelas brasas mais uns minutos. «Coitados» – disse a meia voz ao ler nas notícias nacionais: «Despiste de autocarro na Pampilhosa da Serra provoca 4 mortos e 16 feridos». Na intermitência entre a leitura e o dormitar chegou à Local, onde se demorou por muito tempo até passar os olhos pelo canto inferior direito da página. «Meu deus, que desgraça» – quase gritou quando leu a meia dúzia de linhas: «O coronel reformado Flávio Costa, ilustre benemérito desta cidade, foi ontem atropelado na Avenida da Boavista. Transportado de imediato ao hospital, e depois de submetido a vários exames médicos, foi diagnosticado uma fractura da perna esquerda. O senhor coronel já se encontra em sua casa em convalescença. «Maria, Maria» – gritou a senhora D. Carminda quase em pânico – traz-me o xaile que tenho que ir visitar o senhor coronel. Nas guerras também é assim: a guerra só nos dói quandos os mortos nos batem à porta. E toda esta lengalenga a propósito das seguintes reflexões colhidas no Blogo Existo:"Estamos em guerra e estamos a perder. Estamos a perder, antes de tudo, porque ainda não percebemos que estamos em guerra."(J. Pacheco Pereira, 9.2.06)"Por isso, por brutal que pareça, não basta neste momento dizer que se consideram soluções militares: é preciso começar a prepará-las."(J. M. Fernandes, 13.2.06)"A intervenção deve ser cirúrgica, sobre os centros nucleares, não nuclear e sem mortos."(L. Salgado de Matos, 13.2.06).

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