Orgia vocabular III - Do coito
Diria Camões à sua amada:Oh divina e fermosa criatura! De vós o coito não quero... Mas o
amor
E quedar-me assim a vossos pés prostrado
Admirando-vos e cantando-vos em estrofes e sonetos
Não maculando, senhora, vossa excelsa fermosura
Quer com pensamentos impuros... Quer com meus dedos.
De vós senhora, quero os ouvidos nada mais.
Diria Bocage entre folhos:Se a mim, Bocage, deixasses vós
Tão escondida que estais entre pejos e saiotes
Espreitar vossa greta tão pequena.
Verias em meus calções a frente alçada
E meu porraz se agitando aos pinotes.
Sentirias entre as pernas tais calores
Que as escancarias expondo-vos a meus ardores
E me dirias a mim Elmano, vossa voz, não a minha, cavernosa
Vem Bocage, dá-me tua porra, teu porraz
Que em alvoroço estou... E aguentar-me mais não sou capaz.
Florbela suspiraria no canapé:Ah … Do coito nada sei … Só da espera
Neste longo e lânguido entardecer
Em que te espero, meu amor, e te demoras
E eu aqui reclinada a fenecer…
Vieras tu, meu amor, à tardinha
Ficaras tu comigo, meu amor, a noite inteira
E do coito saberia escrever de manhãzinha
E ao coito dedicaria não um soneto mas uma ode inteira…
Ah…. Como espero que me deixes feita num oito…Num coito….
Ary arrebatado:Meu tesão inteiro e puro
Duro
Caneta
Sólido amor
Antes do coito
Antes do orgasmo
Que é esta tinta e este sémen
Com que escrevo e te descrevo
Meu poema
Não castrado
Minha liberdade
Do coito
Do acto do espanto
Do espasmo.
Pessoa questionar-se-ia:
Penso que vi um coito
Daqui. ~
Da minha esplanada
Por entre o fumo que me tolda os olhos
Por entre as duvidas que me embotam os sentidos
Mas naquela posição seria mesmo um coito?
E se era coito…
De que espécie seria?
Se ele estava de pé e ela ajoelhada?
Ah…. Como é triste o coito
Que o poeta só vê.
encandescente, no Erotismo na Cidade
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