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Este novo governo que, amanhã, apresenta o seu programa na Assembleia da República, sob a forma de uma moção de confiança, vai ter (já tem) uma retórica diferente do anterior, mas sobretudo tem um novo instinto de sobrevivência. Passos Coelho, que é duro de ouvido, apesar das suas conhecidas ligações à música, deu-se ao luxo de tratar, durante dois anos, tudo e todos aos pontapés, desconsiderando, em primeiro lugar, os portugueses, mas também os parceiros sociais, os partidos da oposição e, também, o seu parceiro de coligação. Partiu do princípio que não havia humilhação que fizesse Paulo Portas largar o pote, nem destruição do país que fizesse o senhor presidente da República convocar eleições antecipadas. O resultado está à vista: a partir de agora, tem de andar com Paulo Portas ao colo, como se fosse o Santo António a levar o menino Jesus; tem de ir ao beija-pés, às quintas-feiras, ao senhor de Belém, como se todas as semanas fossem santas e, pior ainda, tem de declarar, todos os dias, que quer formar uma “união nacional” com os socialistas. Com toda esta penitência que lhe foi imposta, ainda há quem diga que Passos Coelho, o suposto primeiro-ministro, foi o vencedor desta crise.