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Perante uma crise política grave, aberta com a demissão do ministro das Finanças que, de facto, governou o país durante os últimos dois anos, o senhor presidente da República, em prol do que considera ser a “estabilidade política” necessária à nossa condição de país “intervencionado”, apresentou aos portugueses, num discurso televisivo solene, e em tom grave, para resolver os problemas da governação, uma não-solução, a qual mereceu, de imediato, o aplauso de todos os condes de Abranhos, da política e do jornalismo, que povoam as nossas praças há, pelo menos, dois séculos. Alguns, menos reservados, gritaram: “Temos Presidente”, sinal evidente do marasmo apodrecido em que tudo isto se afunda. O primeiro resultado visível foi obrigar um não-governo, em trânsito para a tumba, a apresentar-se na Assembleia da República, na sexta-feira, a encenar uma comédia, do tipo “Daqui fala o morto”, como se estivesse a falar no Estado da Nação.