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Vítor Gaspar vai regressar ao Banco de Portugal, de onde nunca devia ter saído. O ex-ministro das Finanças que, de facto, dirigiu o governo de Portugal nos últimos dois anos, independentemente das suas competências técnicas, seja isso o que for, ou das suas qualidades humanas, que desconheço, não estava preparado para lhe ser entregue a governação de um país, por incompetência política de quem se candidatou a primeiro-ministro, por três razões:
Primeira – Agiu sempre com o servilismo e a obediência hierárquica própria de um consultor ou de um chefe de departamento perante a troika e as instruções de Berlim, sendo incapaz de perceber que fazia parte de um governo de um PAÍS SOBERANO e não de uma qualquer organização de estudos económicos de um qualquer Banco, seja o de Portugal, seja o BCE ou qualquer outro.
Segundo – Não estava preparado para GOVERNAR EM DEMOCRACIA e daí não perceber que existem tribunais constitucionais, parceiros de coligação, partidos de oposição e parceiros sociais a respeitar. À menor contrariedade, perante os obstáculos às suas decisões, fazia uma cena e dizia que se ia embora. Foi assim, na TSU. Foi assim, aquando da declaração de inconstitucionalidade de normas do OE de 2013. Para lhe conter a ira, Passos Coelho levou-o, num sábado à tarde a Belém, para Cavaco Silva lhe garantir que a democracia era um treta.
Terceiro – Pertence a uma “escola” de pensamento económico-ideológico que DESPREZA E IGNORA AS PESSOAS, as suas vidas e as suas dificuldades, aprisionando-as, não em Caxias ou em Peniche, mas em folhas de Excel.
Os resultados desta combinação estão à vista: não controlou o défice e aumentou o desemprego; empobreceu os portugueses e aumentou a dívida externa; atirou Portugal para o abismo. O “regresso aos mercados” são uma treta. Resta-lhe os elogios de Berlim – mas esses elogios são uma ofensa a Portugal e aos portugueses.