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No sábado, o país saiu à rua. Literalmente. Pessoas de todas as idades e de todas as crenças. Menos crentes e descrentes. Pessoas que não perdem uma manifestação e pessoas que se baptizaram em acções de protesto. Pessoas que estiveram no 1º de Maio de 1974 e na Alameda em 1975 e pessoas que andam à procura do primeiro emprego. Empregados e desempregados, jovens e reformados. A dimensão e as características inorgânicas do gigantesco protesto, convocado através das redes sociais, que levou à rua centenas de milhares de pessoas em todo o país, são um sinal claro de que os portugueses perderam a paciência com este governo e não vão permitir ser tratados a todo o tempo a pontapé, como cães enxotados. No sábado assistimos a uma lição de cidadania que pode, a desenvolver-se, ser uma nova qualidade da limitada democracia em que vivemos. Um novo “poder” a limitar os desmandos do poder, o tradicional “quero, posso e mando” de quem foi eleito para exercer a governação. E, desta vez, os desmandos ultrapassaram todas as fronteiras da decência política, da competência e do bom senso.