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Viver na miséria paga em euros ou em dracmas?

por Tomás Vasques, em 07.05.12

Hoje, Domingo, quando escrevo este texto, os franceses escolhem o presidente

da França, entre Sarkozy, que tem submetido a França à agenda ideológica,

financeira e económica da Direita alemã e Hollande, um socialista que tem a

obrigação política de, no mínimo, impedir que a senhora Merkel «decida tudo

sozinha», como ontem disse Romano Prodi, o ex-primeiro-ministro italiano.

Também os gregos decidem se querem viver na miséria paga em euros ou em

dracmas, sendo que a sua escolha não é indiferente ao futuro do Euro. Apesar

da importância do resultado de cada uma destas duas eleições para o futuro

do Euro e da Europa, no dia em que, provavelmente, Hollande é já presidente

eleito da França e os gregos preferiram pagar a miséria em Euros, prolongo

ainda o tema que dominou as atenções e as opiniões da semana passada –

a promoção de uma cadeia de supermercados que fez uma das melhores

campanhas de marketing dos últimos anos em Portugal.

 

Sem hipocrisias, nem ironias, tudo foi pensado ao pormenor: o desconto de

50%, por ser um número certo e simbólico: dividir irmãmente em partes iguais;

o dia escolhido – o 1º de Maio, dia do Trabalhador – foi magistral, de se lhe

tirar o chapéu; e o anúncio em cima da hora foi a cereja em cima do bolo. Muita

gente se indignou com esta operação de marketing bem-sucedida como se

estivesse à espera que o empresário Soares dos Santos tivesse a obrigação de

convocar os seus trabalhadores para as manifestações do 1º de Maio convocadas

pela CGTP. Não só não tem essa obrigação, como tem um objectivo elementar a

cumprir: criar lucros com a sua actividade empresarial. Outros, indignaram-se

com o comportamento do «zé povinho» que aderiu em massa à promoção,

como se estivessem à espera que quem fica em casa sem nada para fazer, num

feriado cujo significado nada lhe diz, se recusasse a comprar o que precisa (e o

que não precisa) a metade do preço. Não faz sentido a tese do «empresário

provocador», como não faz sentido a tese da «classe média ávida de consumo».

Ambas as partes, vendedores e consumidores, agiram de acordo com os seus

objectivos e necessidades imediatas, o que é normal. O mais que se acrescentar

é conversa fiada. No entanto, este caso, como tantos outros semelhantes, é a

prova da falência da Educação, a qual tem conduzido à «descapitalização»

cultural de várias gerações, que não conhecem Camões, Eça ou Amadeo de

Souza Cardoso, por exemplo, com a cumplicidade dos sindicatos dos

professores. É tão fácil encher supermercados de consumidores, como fácil é

encher a Avenida da Liberdade de professores que aderem em massa à defesa

dos seus interesses individuais e imediatos. No fundo, o «fenómeno» é o

mesmo, e a CGTP, na maior parte dos casos, não está longe do senhor Soares

dos Santos. Na sociedade, tal como na natureza, os opostos se atraem.

 

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publicado às 17:26




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