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Divagações de sábado à tarde.

por Tomás Vasques, em 26.11.11

Leio, enquanto espero pelo jogo Benfica-Sporting, como se estivesse em dia de reflexão eleitoral. Leio sempre, para acalmar a inquietação, enquanto espero por alguma coisa. Leio nos aeroportos à espera do avião ou nos comboios à espera da chegada ao destino; leio nas noites de insónia à espera que nasça o sol ou apenas quando espero que não aconteça nada. Leio apenas por ler. Hoje, fui à estante das «naturezas mortas» e escolhi a Frente Popular Antifascista em Portugal – Documentos da História do Movimento Operário Português (1935-1937), editado pela Assírio & Alvim, em 1976. E, a poucas horas do grande jogo, estou a ler o relatório que Dimitrov apresentou, a 2 de Agosto de 1935, no 7º Congresso da Internacional Comunista, onde defende a «unidade de todos os homens honrados» (quem conhece estes temas sabe que se trata de uma «tradução» livre) e textos do «Avante» da época. Tenho a vantagem de saber o que se passou depois: desde a ascensão do fascismo à Guerra; desde o Gulag à queda do Muro de Berlim.  Mas, no entanto, há nesta leitura muita coisa que, se apreendida, por todos, com as devidas diferenças, nos serviria para melhor enfrentar os maus dias que correm e os que estão por vir. Aqui em casa e na Europa. Ocorreu-me dar conta do que estou a ler esta tarde ao ler o José Teófilo Duarte escrever que vai deixar de escrever no Facebook, porque:

 

Ao ver um indivíduo abaixo de qualquer classificação ser eleito primeiro-ministro em Espanha, fico sem jeito. Ao ver o primeiro-ministro de Portugal agendar visitas a Angola, onde a sua empresa tem interesses, fico envergonhado. Ao ler os arrependimentos de um capitão de Abril, fico com náuseas. Ao perceber a quantidade de pulhas opinadores que se têm safado em nome da democracia, e que agora querem, do alto dos seus magníficos honorários, alterar o paradigma, fico com vontade de os esganar. A vergonha está fora de moda.

 

Isso é o que «eles» querem, José Teófilo. Perseguem-nos, como abutres. Querem remeter-nos ao silêncio. E o silêncio, agora, mais do mais do que em qualquer outro momento, é uma trágica cumplicidade. Temos de resistir.  

 

PS – Gostei do artigo de Arturo Pérez-Reverte, sobretudo quando diz de Zapatero:

 

 Ahora, cuando se va usted a hacer puñetas, deja un Estado desmantelado, indigente, y tal vez en manos de la derecha conservadora para un par de legislaturas. Con monseñor Rouco y la España negra de mantilla, peineta y agua bendita, que tanto nos había costado meter a empujones en el convento, retirando las bolitas de naftalina, radiante, mientras se frota las manos.

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publicado às 17:26




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