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A mais pesada crítica à desastrosa proposta de Orçamento de Estado para 2012 veio de onde o Governo menos esperava – o Presidente da República. Passos Coelho, concentrado em anular as críticas do principal partido da oposição e um dos subscritores do acordo com a troika, o PS, convenceu-se que já tinha marcado a agenda da discussão e aprovação do Orçamento quando, na semana passada, disse no Parlamento: «As medidas que constam deste orçamento são minhas, mas o défice que as obriga não é meu». Aparentemente, a tranquilidade do primeiro-ministro fazia sentido, o que lhe deu ânimo para esticar ao máximo a corda nos sacrifícios pedidos aos portugueses no próximo ano: António José Seguro ainda não ganhou a credibilidade e a consistência política necessária para se fazer ouvir para além do PS (a frase/conceito «austeridade inteligente» é ininteligivelmente arrepiante); a manifestação dos «indignados», a 15 de Outubro, não aqueceu, nem arrefeceu, ficando muito aquém, em número de participantes, da de 12 de Março, quando governava José Sócrates; as manifestações e greves gerais convocadas pelo PCP/CGTP fazem parte da iconografia do regime. Tudo se conjugava, pois, para uma cumplicidade comedida à volta da «inevitabilidade» das medidas propostas no Orçamento.