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Fogo de artificio (2).

por Tomás Vasques, em 12.09.11

A política do governo pode ser encarada, numa certa óptica, como estando dentro do possível, atendendo à conjunta actual. Assim, em abstracto, contemporizemos. No entanto, no concreto, não pode haver contemplações contra a ligeireza, contra a fraude e o embuste político. Passos Coelho está a ser julgados mais pelo que disse em campanha eleitoral do que pelas medidas que toma. Então, no que diz respeito aos cortes na despesa e nos consumos intermédios do Estado, o desastre é tão grande como no descabelado aumento de impostos para «além do acordo com a troika» e como medida «preventiva». Vejamos: A senhora ministra Assunção Cristas anunciou, com pompa e circunstância mediática, a extinção da Parque Expo. No dia seguinte, fora dos holofotes, nomeou um novo administrador até 2013. O senhor ministro Nuno Crato anunciou o fim das direcções regionais de educação, mas no dia seguinte nomeou novos dirigente para manter as estruturas até ver… No sábado, no Expresso, fontes governamentais ligadas ao senhor ministro Álvero Santos Pereira anunciam a fusão ou extinção de 30 «serviços» ligados à Economia, prometendo fazer desaparecer 500 cargos dirigentes. Mas, no corpo da notícia, que é apresentada como já executada («Governo corta» e não «Governo pretende cortar»), se percebe que se trata de fogo de artificio, e não passa de um «estudo» ainda em curso: «… embora este trabalho esteja por concluir». O que diriam os tagarelas do costume se isto se passasse com o anterior governo? Agora metem a viola no saco, assobiam para o lado e vão tocar para outra freguesia.

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publicado às 13:57




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