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Com a renúncia de José Sócrates, eleito recentemente (quase) por aclamação e unanimidade, ao cargo de secretário-geral do partido socialista, abriu-se o processo de candidaturas ao lugar vazio. Apresentaram-se à disputa, até ao momento, Francisco Assis e António José Seguro. António Costa, um nome muito solicitado, descartou-se da incumbência. Qualquer dos dois candidatos será um secretário-geral digno nos tempos que correm. Diz o bom senso político que quem for eleito será o líder da oposição durante os próximos 4 anos e só, então, será candidato a primeiro-ministro. É possível, mas as tarefas que o próximo governo tem pela frente e o estado de desagregação em que a Europa se afunda, não aconselha planeamentos a tão longo prazo. Muito boa gente pensa que o PS irá fazer um longa «travessia do deserto», no mínimo de 8 anos. Disseram o mesmo, rigorosamente, em 2002 aquando da vitória eleitoral de Durão Barroso. E, apesar da história nunca se repetir, seja como tragédia, seja como farsa, o próximo secretário-geral do PS tem, desde o primeiro momento, de agir (sobretudo na definição programática e na ligação à sociedade) como se tivesse eleições a curto prazo. Neste processo, não se deve esquecer o seguinte: 1) o PCP, pode fazer o que quiser na rua, mas eleitoralmente é como uma estaca, não sai dali; 2) o BE quanto mais se radicalizar mais se reduz; 3) o PS não se pode confundir com o PSD, sobretudo com o PSD de Passos Coelho. O território ideológico e programático do socialismo democrático e da social-democracia está, por agora, todo livre. Inclino-me, neste momento, a pensar que, dentro destas premissas, desenhadas a traço bem grosso, Francisco Assis representará melhor os interesses mais profundos do PS do que António José Seguro. A ver vamos.