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A presente campanha eleitoral estava viciada à partida. Não admira, pois, a pobreza com que se tem desenrolado, entre jantares de carne assada, feiras, romarias, comícios e o elogio do comezinho e da banalidade. Ao assinarem o memorando proposto pela troika, ao qual, aqui chegados, não podiam escapar, os principais partidos políticos, PS, PSD e CDS-PP, ficaram sem margem de manobra para inventar programas eleitorais ou soluções diferentes daquelas que se comprometeram a executar, arredando qualquer discussão de propostas de caminhos diferentes. O dito memorando é o programa de governo, seja quem for o primeiro-ministro, para os próximos três anos, pelo menos. E como este programa de governo não tem uma única boa notícia para os portugueses (pelo contrário, é um rosário de más notícias), os partidos que o subscreveram optaram por o referir o menos possível, por silenciar as medidas dolorosas que aí se exigem. No imaginário político, sobretudo nos países latinos, as campanhas eleitorais destinam-se a prometer sonhos, a apontar o caminho para o Paraíso na Terra, mesmo que isso só se consiga através de um cartão de crédito. Desta vez não há sonhos para oferecer. Quando muito, se a campanha eleitoral fosse a sério, apenas se poderia debater o alcance dos pesadelos que estão aí, ao virar do 5 de Junho. Mas, o que é natural, ninguém está interessado nisso, a não ser o PCP e o BE, partidos que apostam e acreditam no desmoronamento iminente do "sistema" em que vivemos, quer em Portugal, quer na Europa, e por isso, porque crêem religiosamente que a revolução está na ordem do dia, estimulam o descontentamento que as dificuldades provocam, a fim de apressar o dilúvio. Põem-se de fora de qualquer solução governativa, como se os portugueses apenas lhes interessassem como carne para revolução.