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Os portugueses já se habituaram à novela das contabilidades grevistas. As centrais sindicais dizem ter «paralisado o país»; o governo aligeira a carga e responde que o «consumo de energia» não baixou. Esta discrepância, para além da propaganda mediática, assenta na «alma portuguesa»: o pessoal não quer passar por «fura-greves», nem quer descontar no salário o dia de greve. E inventa: assistência à família, doença, dia de férias e por aí fora. Grevistas envergonhados. Apesar disso, uma acção de protesto, como a de ontem, é natural e desejável, sobretudo quando pioram as condições de vida. Reside aqui uma das virtudes da democracia – o direito à greve, o direito à manifestação e ao protesto. No entanto, sabemos – todos sabem, incluindo os dirigentes sindicais – que, em Portugal, a «greve geral» é sinónimo de «greve geral da Função Pública» (ou pouco mais). E que isso conta pouco. Hoje, um dia depois, nada se alterou e ninguém regista a «greve geral» como o primeiro dia do resto das suas vida. É a vida…