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A intervenção (ou não) do FMI em Portugal é, nos próximos meses, uma questão política decisiva. Ao PSD convinha que o FMI entrasse quanto antes em Portugal. Se tal acontecesse, estaria em condições de exigir eleições antecipadas, mal o presidente da República eleito em Janeiro tomasse posse. Ao Governo socialista convém que não seja solicitada a intervenção do FMI. Enquanto isso não acontecer, mesmo depois das eleições presidenciais, o PS sempre dirá que a queda do actual governo (e eleições antecipadas) criaria a instabilidade política favorável à intervenção do FMI. O optimismo do primeiro-ministro leva-o a acreditar que, em Abril próximo, o governo apresenta provas de que é capaz de executar, com rigor, o Orçamento aprovado e, também, que os resultados económicos do 1º trimestre de 2011 estão em linha com as previsões do governo. Ou seja, sem recessão à vista. Nestas condições, qualquer instabilidade política será mal vista. Depois, fazendo ainda uso de doses industriais de optimismo, é repetir os resultados em cada trimestre de 2011 e chegar ao fim ano com os objectivos orçamentais cumpridos e o Orçamento para 2012 aprovado. Se repetir a receita em 2012 (provavelmente o ano mais difícil é 2011), então, José Sócrates terá condições favoráveis para disputar eleições legislativas em 2013. Esta é uma visão cor-de-rosa, mas não é inatingível. E os dirigentes do PSD sabem disso e temem este cenário. Por isso, desejam a entrada imediata do FMI em Portugal. Uma coisa é certa: o tempo que vivemos é muito volátil e quem tiver certezas, engana-se.