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Está nas livrarias um novo livro de Roberto Bolaño: A literatura nazi nas Américas (Quetzal), onde se entrecruzam estética e ética; literatura e política (ou talvez ideologia), através de uma enciclopédia ficcional composta por curtas biografias de autores imaginários. O autor de 2666, conhecedor da grandeza e das misérias da literatura latino-americana, vai deixando em cada biografado várias portas abertas para a realidade. Por exemplo, um dos retratados, Amado Couto, (Juiz de Fora, Brasil, 1948- Paris, 1989) está intimamente relacionado com Rubem Fonseca (também nascido em Juiz de Fora), não só pela atracção do autor ficcionado pelo escritor brasileiro, mas pelo próprio nome escolhido por Bolaño: Amado Couto. Couto (Golbery do Couto e Silva) foi o nome general que criou e dirigiu o Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (onde Rubem Fonseca foi director), centro nevrálgico, operacional e estratégico, do golpe militar de 1964 no Brasil. A literatura nazi nas Américas é, sobretudo, um exercício mordaz a que Bolaño chamou «grotesco literário» no romance Estrela Distante (Teorema), onde desenvolve a história do último biografado, Ramirez Hoffman.