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Ontem à noite, o Conselho Nacional do PSD aprovou as condições de Pedro Passos Coelho para «deixar passar» o Orçamento. O líder do PSD, segundo revelam os jornais, pretende que o governo lhe explique, bem explicado, onde falhou a execução do Orçamento de 2010 e do Plano de Estabilidade e Crescimento (PEC), acordado entre o Governo e o PSD em Maio; e pretende, ainda, a suspensão de todas as grandes obras públicas. Recusa a subida de dois ponto percentuais do IVA, mas aceita a subida de um ponto; recusa também que o corte proposto pelo governo nas deduções fiscais na saúde, educação e habitação; e recusa, ainda, algumas mexidas nas tabelas do IVA. Caso o Governo aceite estas propostas, tudo indica que o PSD se compromete em deixar passar o Orçamento. Desde Agosto, no Pontal, onde afirmou preto no branco, que o PSD não deixava passar um Orçamento que implicasse aumento de impostos, Pedro Passos Coelho já disse tudo e o seu contrário sobre o tema, tal como aconteceu com as várias propostas de revisão constitucional que foi anunciando antes da versão final. É este ziguezaguear permanente que lhe retira credibilidade enquanto alternativa a José Sócrates. Ninguém está disposto a mudar para pior. Nesta altura do campeonato, com as medidas do PEC 1, do PEC 2 e as propostas de Orçamento, qualquer líder da oposição com um mínimo de credibilidade e que sistematicamente apresentasse aos portugueses um caminho diferente para percorrer – um caminho melhor, obviamente –, esmagava o governo PS nas intenções de voto. Não é isso que acontece.
(Publicado no Aparelho de Estado)