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O Francisco é de opinião que, neste meu post, onde concluí que os portugueses estão cansados de circo a partir de uma sondagem do Expresso sobre o processo Freeport, há «um pequeno, ligeiro equívoco» (Já antes, o João Gonçalves tinha feito, a propósito, uma observação e, no Domingo, o Tiago Mota Saraiva, no Combate de blogues, também me chamou a atenção mais ou menos no mesmo sentido). Longe de mim a veleidade de nunca me enganar ou de raramente ter dúvidas e de saber, tal como o Francisco, que os veredictos, em países civilizados, não vão a sondagens. E acontece que a opinião pública não é propriamente o fiel da balança quando se trata da lei. No entanto, insisto: o que me ressaltou dos resultados da sondagem citada foi a quase unanimidade dos inquiridos sobre a longevidade do processo nesta sua fase de inquérito, apesar de notar que as perguntas estavam formuladas para a resposta vir a reboque. Isto quer dizer que, em meu entendimento, em termos de «opinião pública», e passados seis anos, não se sente o sentimento de «apure-se a verdade independentemente do tempo que levar». A violação permanente e diária do segredo de justiça, transformando uma investigação num «circo mediático», e a sua longevidade sem obter resultados de monta, conduz inevitavelmente à percepção do uso da investigação para fins políticos e, consequentemente, ao seu descrédito enquanto investigação. É deste «circo» que o pessoal está cansado. Não tem nada a ver com veredictos ou com leis.
Adenda: A Ana Cristina Leonardo também não perdeu oportunidade de me chamar a atenção para o tempo em que «a malta sabia que a política era uma puta velha e não uma inocente virgem». Só que neste imbróglio eu tenho dúvidas sobre quemrepresenta o papel de «puta velha» e quem faz de «inocente virgem».