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As jornadas parlamentares do PS, que ontem encerraram com um discurso de José Sócrates, indicam que, em primeiro lugar, José Sócrates (e o PS) espera eleições antecipadas; em segundo lugar, que está claramente esboçada a sua estratégia eleitoral: o retorno à «ideologia».

Nas últimas legislativas, em Setembro passado, quando a «crise internacional» ainda servia apenas de pano de fundo à discussão, José Sócrates permitiu que a agenda do debate fosse marcada pela inabilidade política de Manuela Ferreira Leite e Pacheco Pereira: a construção do TGV e a «asfixia democrática» ocuparam o palco da campanha.

Agora, com a «crise internacional» a sugar o bolso dos portugueses, com a dose reforçada de «medidas de austeridade» que se advinha para 2011, com as perspectivas de crescimento e o desemprego a caminharem pelas ruas da amargura, o PS centrou o debate no terreno «ideológico»: na luta entre o socialismo democrático e o neo-liberalismo; na defesa do Estado Social contra o «neo-liberalismo», representado pelo PSD. O uso dos poderes conferidos pelas «acções dourados» caiu como mel na sopa: o Estado ao serviço dos «interesses estratégicos» da Nação contra a ganância do «Capital». Nas jornadas parlamentares, Francisco Assis foi claro: «O propósito da direita é o desmantelamento do Estado Social. À luz do que tem sido publicado nos últimos dias estamos perante a direita mais radical dos últimos tempos, contra o Estado Social». Depois, o secretário-geral do PS sintetizou: “Esta proposta (de Pedro Passos Coelho em relação à Saúde e à Educação) (…) tem a ver com a revisão da História. Pretende ser um ajuste de contas com a História, contra o Estado Social e o Estado Providência».

A partir daqui, as fronteiras do próximo confronto eleitoral entre PS e PSD estão traçadas. É uma fronteira claramente ideológica: de um lado a esquerda democrática; do outro a direita «mais radical dos últimos tempos». De um lado, a «ganância e o lucro»; do outro, a «defesa do Estado Social e o Estado Providência». E a defesa da Constituição. Ninguém vai querer saber o que cada uma destas «coisas» significa, mas em tempos de profunda crise, «Estado Social» e «Estado Providência» são nomes que soam bem.  

Há quem pense que José Sócrates já está empalhado e metido num congelador à espera que as próximas eleições legislativas o estilhacem. Mas, ninguém se admire, se ele vier a surpreender. Nunca se esqueçam de Mark Twain: as notícias sobre a minha morte são manifestamente exageradas.

 

(No Aparelho de Estado).

 

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publicado às 11:40




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