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O Governo invocou o «interesse nacional» para fundamentar o voto/veto contra a compra da Vivo brasileira à PT. Ora, o «interesse nacional» é uma prostituta que nos acompanha há séculos, e que é usada sem cerimónia para todos os fins, sempre que dela precisam. Por isso, deixemos de lado o «interesse nacional». A decisão política de usar os poderes conferidos ao Estado pelas «acções douradas», mesmo contra a vontade de 74% dos accionistas, só pode ser interpretada como um posicionamento do PS para as próximas legislativas, onde o papel do Estado na protecção dos cidadãos, sobretudo «os mais desfavorecidos» vai ser tema dominante. Por este caminho, procurará o PS, deslizando para a «esquerda», empurrar o PSD para a «direita» e apresentá-lo como o futuro coveiro do Estado Social (destruição do SNS, reformas privadas, fim de prestações sociais, como o rendimento mínimo, etc.), abandonando à «selva do mercado» os portugueses. A posição do PS na questão das SCTUS, nomeadamente ao querer isentar do pagamento de portagens quase toda a gente, vai no mesmo sentido. O desfecho final do negócio da compra da Vivo pela Telefónica ainda está por conhecer. Mas, para o governo, não essa a questão principal. Mesmo que o negócio se realize, passando a Vivo para a Telefónica, o que é muito provável, a posição política do governo já foi marcada.