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Quem tem tomates, tem tudo.

por Tomás Vasques, em 14.04.10

 

 

Enquanto bebo o café, depois de almoço, passo os olhos pelo Le Monde diplomatique (edição portuguesa) de Março. E detenho-me num extenso texto (página 12 e 13) do jornalista Pierre Daum sobre tomates. O título é: E tudo por mais alguns tomates. A história é simples: Pierre Daum – o jornalista – não gosta que a região de Almeria, em Espanha, abasteça toda a Europa de tomates durante todo o ano. Primeiro, porque o preço competitivo é obtido à custa da exploração de mão-de-obra agrícola mal paga (ele explica, com uma boa dose de chauvinismo, que um operário agrícola em França ganha 55,4 euros por dia, enquanto em Espanha só ganha 44,40, beneficiando ainda de alguma mão-de-obra ilegal paga a 37 euros dia); depois; os motoristas ( «búlgaros ou ucranianos» – especifica ele) que fazem a distribuição até Paris, Amesterdão, Londres, Berlim, Varsóvia e por aí fora são explorados («alguns, remunerados por quilómetro percorrido, fazem o máximo de quilómetros que podem, mesmo não respeitando as pausas obrigatórias»). Neste ponto também se inclui a poluição produzida pelos camiões; finalmente, os tomates espanhóis não têm gosto, são duros, não «amadurecem na sua cesta de frutos» e apodrecem rapidamente. Ora, os tomatais de Almeria («quarenta mil hectares, trinta mil produtores», indigna-se o autor do texto) só existem porque os consumidores europeus quando não têm acesso a tomates a sério, procuram os tomates de aviário, borrifando-se nos tomates maduros, na globalização e na luta de classes. O que significa que quem tem tomates todo ano, tem tudo. O resto é conversa fiada.

 

(publicado aqui)

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publicado às 15:58




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