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Sou pouco selectivo nos caminhos que me conduzem à memória de generais. E, por isso, tenho dificuldade em compreender a distinção, por exemplo, entre os marechais António de Spínola e Costa Gomes. Este foi subsecretário de Estado do Exército (1958-1961); comandante da Região Militar de Angola, no auge da guerra colonial, em 1970; e nomeado Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, em 1972, cargo que exerceu até Março de 1974. Parece que tem, sem indignações, nem lamúrias, o nome em avenidas de Lisboa e do Porto. Por isso, referi a indignação de Joana Lopes (pessoa incapaz de apagar um post, como sugeri, pelo que me penitencio) com a atribuição do nome de António de Spínola a uma avenida de Lisboa, ignorando (ou distinguindo) que Costa Gomes já tinha igual honraria. É penosa qualquer discussão que resvale para qualificar um destes militares de carreira no Estado Novo como mais «progressista» do que o outro; ou que um merece o nome numa avenida e o outro não. Daqui até ao que se deve ou não apagar da memória dos povos (como se de criancinhas se tratasse e a quem não se pode contar a história toda) é um pequeno salto. O nome de Costa Gomes fica bem numa Avenida, mas o de António de Spínola não? O radicalismo subjacente a esta visão permita a provocação: acho que a ponte sobre o Tejo nunca devia ter perdido o nome original – ponte Salazar –, nem as estátuas dos navegadores portugueses deviam ter desaparecido das paragens africanas. A história não se apaga, apesar de Stalin ter apagado Trotsky das fotografias. Mas não é só uma provocação. É, sobretudo, uma dúvida que aqui fica registada.
PS. Comentários em blogues e tempos de resposta é outra conversa.