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La grande bouffe.

por Tomás Vasques, em 28.02.10

 

Os resultados das últimas eleições legislativas, realizadas apenas há 4 meses, foram um balde de água fria, sobretudo para o PSD e o BE. Manuela Ferreira Leite acreditou na vitória do seu partido até ao último momento, até começarem a pingar as primeiras projecções; Francisco Louçã acreditou que o desmoronamento eleitoral do PS daria ao BE 17% ou 18%, senão mais.

A «realidade objectiva» embalava-lhes o sonho: a história da licenciatura de José Sócrates serviu de entrada; depois, vieram aquelas casitas mal paridas com a sua assinatura; mas sobretudo o caso Freeport – sim, o caso Freeport foi La grande bouffe, onde Manuela Moura Guedes, às sextas – feiras, durante meses, fez de heroína – não podia deixar de causar um profundo abalo no eleitorado. Isto quanto ao carácter de José Sócrates. Quanto ao estado da economia, em resultado da crise mundial, a «coisa» não podia estar melhor para a oposição: o deficit ia por aí acima, tal como o desemprego, enquanto o crescimento era negativo. As expectativas das famílias e das empresas andavam pelas ruas da amargura. As grandes manifestações de rua dos professores e da função pública provavam o descontentamento reinante. Os resultados das eleições «europeias» não deixavam margem para dúvidas. Era a «tempestade perfeita».

Mas não foi. Afinal, José Sócrates ganhou as eleições. E ganhou claramente.

A seguir às eleições veio o caso Face Oculta que indirectamente envolveu o primeiro-ministro, através de escutas telefónicas, e veio, também, o «plano» de controlo da comunicação social, sobretudo a compra da TVI pela PT, o que deu continuidade à grande farra: José Sócrates é o «cérebro» do dito «plano» – dizem – e mentiu ao Parlamento sobre a compra da TVI. Acrescentam que José Sócrates não tem credibilidade para governar. Até é possível que seja verdade, mas em democracia o que conta é a opinião de todos e não a opinião dos «iluminados». E esse teste só pode ser feito através de novas eleições. Mas fogem todos de eleições como o Diabo da cruz. Temem que a sua opinião não corresponda à opinião do todo nacional – dos eleitores. O Presidente da República, que pode demitir o primeiro-ministro, assobia para o ar; os partidos, que podem apresentar uma moção de censura ao governo, encolhem-se e escondem-se uns atrás dos outros. Para salvar a honra do convento, o PSD e o BE, exactamente os partidos que apanharam o duche gelado nas últimas eleições, vão avançar com uma comissão de inquérito parlamentar para avaliar o grau de envolvimento de José Sócrates no «plano» de compra da TVI pela PT e se mentiu ao Parlamento. No fundo, vão tentar provar se «sexo oral é sexo». E vão levar como prova, em vez de um vestido com nódoas, as nódoas colhidas pela polícia através de escutas telefónicas. O PSD e o BE não vão dignificar a figura da comissão de inquérito, nem o Parlamento. Vai continuar a degradação do regime, mais do que a imagem de José Sócrates, só porque o Presidente da República e os partidos da oposição temem eleições e optaram por «cozer» José Sócrates em lume brando. É mau. Muito mau.

 

 

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